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EMET EFATÁ 03 · EZEQUIEL 47.1-12

E SE EU MERGULHAR?

EMET EFATÁ · 03

E se eu mergulhar?

emetefata.com.br

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Nas três primeiras medidas o texto diz que o homem “me fez passar pelas águas”; na quarta, com o mesmo verbo hebraico, diz que já não se podia atravessar: não foi o profeta que mudou, foi a água, que virou “água de nadar”.Da pregação 33 · E Se Eu Mergulhar?

O que o filme mostra

  1. 01

    Três vezes “me fez passar”

    Numa visão, Ezequiel vê água saindo por debaixo da soleira do templo e correndo para o leste: "eis que saíam umas águas por debaixo do limiar do templo, para o oriente" Ez 47.1. Um homem com uma corda de medir vai à frente e, a cada mil côvados (uns quinhentos metros), leva o profeta para dentro da água: "mediu mil côvados, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos artelhos. De novo mediu mil, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos joelhos; outra vez mediu mil, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos lombos" Ez 47.3-4. Artelho é o tornozelo; lombo, a cintura. No hebraico, "e me fez passar" é וַיַּעֲבִרֵנִי (wayyaʿăbirēnî), três vezes, e cada água tem o nome da parte do corpo que ela cobre: מֵי אָפְסָיִם (mê ʾopsāyim), água de tornozelo; מַיִם בִּרְכָּיִם (mayim birkāyim), água de joelho; מֵי מָתְנָיִם (mê motnāyim), água de cintura. A leitura comum de que o profeta viu o rio e não entrou não se sustenta: ele entrou três vezes, até onde se entra de pé.

  2. 02

    Na quarta medida, o mesmo verbo diz não

    "Ainda mediu mais mil, e era um rio, que eu não podia atravessar; pois as águas tinham crescido, águas para nelas nadar, um rio pelo qual não se podia passar a vau" Ez 47.5. "A vau" é a pé, pisando no fundo. Em português aparecem três verbos, "passar", "atravessar" e "passar a vau"; no hebraico é um só, עָבַר (ʿābar), passar. Ele está nas três primeiras medidas, com o homem como sujeito ("me fez passar"), e duas vezes na quarta, negado: לֹא אוּכַל לַעֲבֹר (lōʾ ʾûkal laʿăbōr), "não podia atravessar", e לֹא יֵעָבֵר (lōʾ yēʿābēr), "não se podia passar". O profeta é o mesmo; o que o texto diz que mudou foi a água: גָּאוּ הַמַּיִם (gāʾû hammayim), "as águas tinham crescido". E a quarta água já não tem nome de parte do corpo. É מֵי שָׂחוּ (mê śāḥû), água de nadar, e a palavra śāḥû só aparece aqui em todo o Antigo Testamento. As três primeiras se medem pelo corpo; a quarta, pelo que o corpo teria de fazer. Logo depois o homem pergunta "Viste, filho do homem?" e leva o profeta "de volta à margem do rio" Ez 47.6. No filme o cordel mede quatro vezes e é recolhido; não há quinta estaca.

  3. 03

    Na mesma beira, o charco e a árvore

    O rio desce para o Mar Morto, onde nada vive, e o cura: "ao entrarem nas águas salgadas, estas se tornarão saudáveis" Ez 47.8, "e viverá tudo por onde quer que entrar este rio" Ez 47.9. Os pescadores estendem as redes "desde En-Gedi até En-Eglaim" Ez 47.10. Então vem a exceção: "Mas os seus charcos e os seus pântanos não sararão; serão deixados para sal" Ez 47.11. E, na margem, o oposto: "E junto do rio, à sua margem, de uma e de outra banda, nascerá toda sorte de árvore que dá fruto para se comer. Não murchará a sua folha, nem faltará o seu fruto. Nos seus meses produzirá novos frutos, porque as suas águas saem do santuário" Ez 47.12. "Nos seus meses" é todo mês. O verbo de curar, רָפָא (rāpāʾ), aparece três vezes no trecho e a Almeida o traduz de três jeitos: "se tornarão saudáveis" (47.8), "se tornem doces" (47.9), "não sararão" (47.11). A cura chega a tudo em que o rio entra, menos aos charcos. A única razão que o texto dá para o fruto das árvores é de onde vem a água delas: כִּי מֵימָיו מִן־הַמִּקְדָּשׁ הֵמָּה יוֹצְאִים, "porque as suas águas saem do santuário". A árvore está parada, na margem, e dá fruto. A oposição do capítulo não é entre quem se move e quem fica; é entre o que a água do santuário alcança e o que fica fora dela.

  4. 04

    O mesmo rio no fim da Bíblia

    O último capítulo da Bíblia repete o de Ezequiel: "E mostrou-me o rio da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da sua praça, e de ambos os lados do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a cura das nações" Ap 22.1-2. Os dois lados do rio, o fruto de cada mês e a folha que cura estão em Ezequiel 47.12. Na tradução grega do Antigo Testamento, a Septuaginta, Ezequiel diz que as águas ἐκπορεύεται (ekporeuetai), saem, do lugar santo; João usa o mesmo verbo para o rio que "procedia" (ἐκπορευόμενον, ekporeuomenon) do trono. E um capítulo antes ele diz de onde a água sai agora: "Nela não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro" Ap 21.22. O Cordeiro é Jesus. Em Ezequiel, a água sai do santuário; no Apocalipse, o santuário é Deus e o Cordeiro. Por isso, no filme, o templo se apaga e a água continua a sair de onde Jesus está. Que João escreveu com Ezequiel 47 diante dos olhos é a leitura da maior parte dos comentaristas, pelo número de coincidências; ainda assim, é leitura, e não citação declarada.

  5. 05

    "Venha a mim e beba"

    Era a festa dos tabernáculos Jo 7.2. "Ora, no seu último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva. Ora, isto ele disse a respeito do Espírito que haviam de receber os que nele cressem" Jo 7.37-39. Nos sete dias dessa festa derramava-se água sobre o altar (Mishná, Sucá 4.1 e 4.9), e a tradição judaica ligava essa água à de Ezequiel 47, a que sairia de debaixo do limiar do templo (Tosefta, Sucá 3.3). É nesse cenário que Jesus se põe de pé e chama para si. Nenhum versículo do Antigo Testamento diz com essas palavras o que ele cita; Ezequiel 47, Zacarias 14.8 ("correrão de Jerusalém águas vivas" Zc 14.8) e Joel 3.18 são os candidatos mais citados. O certo é o convite: quem tem sede vai a ele. No filme, alguém com sede se ajoelha à beira da água, perto dele, e bebe.

Os detalhes do filme

O templo vem do próprio Ezequiel: as colunas junto aos umbrais (Ez 40.49), as janelas (Ez 40.16) e as palmeiras entalhadas nos umbrais (Ez 40.16; Ez 41.18); a frente dá para o oriente, e por isso o sol nasce à direita (Ez 47.1). O homem do cordel é o de Ez 40.3, "cuja aparência era como a do bronze, tendo na mão um cordel de linho e uma cana de medir"; está em cinza porque o filme só usa as cores da série. As estacas a cada medida, os peixes no rio fundo da quarta medida e o caniço seco no charco são escolhas do desenho. O mar que passa de cinza a azul desenha o "se tornarão saudáveis" de Ez 47.8; a crosta de sal em volta dos charcos desenha o "deixados para sal" de 47.11; as redes estendidas em estacas vêm de 47.10, "haverá lugar para estender as redes". En-Gedi fica na margem oeste do Mar Morto; o lugar de En-Eglaim é incerto, e os dois nomes estão no desenho só para marcar o trecho da praia. Os brilhos na água do fim são o "claro como cristal" de Ap 22.1. Pássaros, nuvens e a estrada são escolha do desenho.

O que o filme não afirma

Não afirma que Ezequiel 47 seja um mapa das etapas da vida espiritual. O capítulo fecha a visão do templo restaurado (Ez 40—48), e o rio é a presença de Deus curando a terra. A pregação 33 usa as quatro medidas como imagem de entrega, e diz que é analogia. O filme fica no que o texto diz: três vezes ele passou; na quarta, não se passava.

Não mostra o profeta nadando, porque o texto não diz que ele nadou. Diz que ele não podia atravessar, que o homem perguntou "Viste?" e o levou de volta à margem. A pergunta do título, "E se eu mergulhar?", é da pregação, não de Ezequiel.

Não afirma que o charco seja água que saiu do rio e parou. O texto não explica por que os charcos não saram; diz só que ficam para sal. Ler que ficaram fora do alcance da água vem do contraste com 47.9 ("por onde quer que entrar o rio") e 47.12 ("porque as suas águas saem do santuário"), e é inferência. Também não diz que o sal seja maldição: o sal tinha uso no altar (Ez 43.24).

Não afirma que ficar na margem seja fracasso. As árvores estão na margem e dão fruto todo mês.

Não afirma que Jesus citou Ezequiel em João 7.38, nem decide de quem é o "interior" de onde correm os rios, se de quem crê, como a pontuação da Almeida lê, ou dele mesmo, como leem outros. Por isso o filme não mostra água saindo do corpo de Jesus: mostra a água saindo de onde ele está, que é o que Apocalipse 22.1 e 21.22 dizem, e alguém indo a ele para beber, que é o que João 7.37 diz.

O traço em terracota é sinal, não retrato: não tem rosto nem aparência. É sempre o mesmo, em todos os filmes da Emet Efatá, e marca onde ele está na cena.


Versículos consultados

Todas as passagens citadas no estudo, em ordem canônica, com o texto por extenso — 5 livros, 26 versículos. Clique no + para abrir cada livro.

Texto da Almeida Revisada Imprensa Bíblica, de domínio público. Os trechos transcritos na NVI ao longo do estudo estão listados abaixo.

Ezequiel40.3,16,49; 41.18; 43.24; 47.1-12  ·  17 vers.
  • 40.3  Levou-me, pois, para lá; e eis um homem cuja aparência era como a do bronze, tendo na mão um cordel de linho e uma cana de medir; e ele estava em pé na porta.
  • 40.16  Havia também janelas de fechar nas câmaras e nos seus umbrais, dentro da porta ao redor, e da mesma sorte nos vestíbulos; e as janelas estavam à roda pela parte de dentro; e nos umbrais havia palmeiras.
  • 40.49  O comprimento do vestíbulo era de vinte côvados, e a largura de doze côvados; e era por dez degraus que se subia a ele; e havia colunas junto aos umbrais, uma de um lado e outra do outro.
  • 41.18  havia querubins e palmeiras de entalhe; e havia uma palmeira entre querubim e querubim; e cada querubim tinha dois rostos,
  • 43.24  Trá-los-ás, pois, perante o Senhor; e os sacerdotes deitarão sal sobre eles, e os oferecerão em holocausto ao Senhor.
  • 47.1  Depois disso me fez voltar à entrada do templo; e eis que saíam umas águas por debaixo do limiar do templo, para o oriente; pois a frente do templo dava para o oriente; e as águas desciam pelo lado meridional do templo ao sul do altar.
  • 47.2  Então me levou para fora pelo caminho da porta do norte, e me fez dar uma volta pelo caminho de fora até a porta exterior, pelo caminho da porta oriental; e eis que corriam umas águas pelo lado meridional.
  • 47.3  Saindo o homem para o oriente, tendo na mão um cordel de medir, mediu mil côvados, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos artelhos.
  • 47.4  De novo mediu mil, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos joelhos; outra vez mediu mil, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos lombos.
  • 47.5  Ainda mediu mais mil, e era um rio, que eu não podia atravessar; pois as águas tinham crescido, águas para nelas nadar, um rio pelo qual não se podia passar a vau.
  • 47.6  E me perguntou: Viste, filho do homem? Então me levou, e me fez voltar à margem do rio.
  • 47.7  Tendo eu voltado, eis que à margem do rio havia árvores em grande número, de uma e de outra banda.
  • 47.8  Então me disse: Estas águas saem para a região oriental e, descendo pela Arabá, entrarão no Mar Morto, e ao entrarem nas águas salgadas, estas se tornarão saudáveis.
  • 47.9  E por onde quer que entrar o rio viverá todo ser vivente que vive em enxames, e haverá muitíssimo peixe; porque lá chegarão estas águas, para que as águas do mar se tornem doces, e viverá tudo por onde quer que entrar este rio.
  • 47.10  Os pescadores estarão junto dele; desde En-Gedi até En-Eglaim, haverá lugar para estender as redes; o seu peixe será, segundo a sua espécie, como o peixe do Mar Grande, em multidão excessiva.
  • 47.11  Mas os seus charcos e os seus pântanos não sararão; serão deixados para sal.
  • 47.12  E junto do rio, à sua margem, de uma e de outra banda, nascerá toda sorte de árvore que dá fruto para se comer. Não murchará a sua folha, nem faltará o seu fruto. Nos seus meses produzirá novos frutos, porque as suas águas saem do santuário. O seu fruto servirá de alimento e a sua folha de remédio.
Joel3.18  ·  1 vers.
  • 3.18  E naquele dia os montes destilarão mosto, e os outeiros manarão leite, e todos os ribeiros de Judá estarão cheios de águas; e sairá uma fonte da casa do Senhor, e regará o vale de Sitim.
Zacarias14.8  ·  1 vers.
  • 14.8  Naquele dia também acontecerá que correrão de Jerusalém águas vivas, metade delas para o mar oriental, e metade delas para o mar ocidental; no verão e no inverno sucederá isso.
João7.2,37-39  ·  4 vers.
  • 7.2  Ora, estava próxima a festa dos judeus, a dos tabernáculos.
  • 7.37  Ora, no seu último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim e beba.
  • 7.38  Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva.
  • 7.39  Ora, isto ele disse a respeito do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito ainda não fora dado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.
Apocalipse21.22; 22.1-2  ·  3 vers.
  • 21.22  Nela não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro.
  • 22.1  E mostrou-me o rio da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro.
  • 22.2  No meio da sua praça, e de ambos os lados do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a cura das nações.

Versões citadas: ARA Almeida Revista e Atualizada · ARC Almeida Revista e Corrigida · AA Almeida Revisada Imprensa Bíblica · NVI Nova Versão Internacional.


Fontes

Emet Efatá 03 · Elaborado por Eric Rocha

Criado em  ·  Última atualização em