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EMET EFATÁ 06 · LUCAS 15.11-32

PERDIDO NA CASA DO PAI.

EMET EFATÁ · 06

Perdido na casa do pai

emetefata.com.br

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O filho mais velho, que nunca saiu de casa, diz ao pai “há tantos anos te sirvo” com o verbo grego do escravo, douleúō (Lucas 15.29). O pai, que tinha corrido para o filho que voltou, sai de casa também por ele e o chama de “Filho”.Da pregação 20 · Perdido na Casa do Pai

O que o filme mostra

  1. 01

    Para quem a história foi contada

    Jesus não contou esta parábola no vazio. Lucas diz quem estava perto e quem reclamava: "Ora, chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles" Lc 15.1-2. Publicanos cobravam impostos e eram malvistos por todos; fariseus e escribas eram os religiosos cuidadosos da época. "Então ele lhes propôs esta parábola" Lc 15.3: o "lhes" são os que murmuravam. "Murmuravam" é διεγόγγυζον (diegóngyzon), no imperfeito, uma reclamação que continuava. O capítulo traz três histórias em resposta, e as três acabam em festa: "Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha" Lc 15.6, "Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma" Lc 15.9, "E começaram a regozijar-se" Lc 15.24. O filme começa e termina com essa plateia: os que chegavam, sentados perto dele; os que murmuravam, de pé, afastados.

  2. 02

    Perdido longe: o filho mais novo

    "Certo homem tinha dois filhos" Lc 15.11. O mais novo pede a sua parte, vai "para um país distante" Lc 15.13, gasta tudo, e a fome o leva a cuidar de porcos, animal que a Lei chamava imundo Lv 11.7. "E desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam; e ninguém lhe dava nada" Lc 15.16. A palavra grega é κεράτιον (kerátion), a vagem da alfarrobeira, que se dava aos animais. Ali ele "caindo, porém, em si" Lc 15.17, isto é, voltando a enxergar a própria vida, ensaia o que vai dizer: "trata-me como um dos teus empregados" Lc 15.19. "Empregados" é μίσθιοι (místhioi), trabalhadores pagos. Ele volta disposto a ser empregado. O pai manda trazer roupa, anel e alparcas e diz aos servos: "este meu filho estava morto, e reviveu" Lc 15.24.

  3. 03

    O pai vai ao encontro dos dois

    O pai não espera nenhum dos filhos dentro de casa. Para o mais novo, "estando ele ainda longe, seu pai o viu, encheu-se de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou" Lc 15.20: "correndo" é δραμών (dramṓn). Kenneth Bailey lembra que, no Oriente Médio tradicional, homem de túnica comprida não corre em público, porque é humilhante; é leitura cultural, o texto diz só que ele correu. O mais velho volta do campo, ouve "a música e as danças" Lc 15.25 e não quer entrar: "Saiu então o pai e instava com ele" Lc 15.28. "Saiu" é ἐξελθών (exelthṓn); "instava" é παρεκάλει (parekálei), no imperfeito: ele pedia e continuava pedindo. A festa já tinha começado, e o pai sai dela para buscar o filho que ficou do lado de fora. É por isso que a pregação 20 diz que o pai sai duas vezes na mesma parábola: uma para o que voltou de longe, outra para o que estava a poucos passos da porta.

  4. 04

    "Te sirvo": o verbo do escravo

    A resposta do mais velho: "Eis que há tantos anos te sirvo, e nunca transgredi um mandamento teu; contudo nunca me deste um cabrito para eu me regozijar com meus amigos" Lc 15.29. "Te sirvo" é δουλεύω σοι (douleúō soi). O verbo vem de δοῦλος (doûlos), escravo, e quer dizer servir como escravo. No Evangelho de Lucas ele aparece só mais uma vez, no capítulo seguinte: "Nenhum servo pode servir dois senhores" (16.13). O filho que nunca saiu de casa descreve os anos com o pai com o verbo de quem serve a um dono; conta a obediência como quem conta horas trabalhadas e cobra o pagamento que não veio. O capítulo tem três palavras para quem trabalha na casa: os empregados pagos (místhioi, Lc 15.17), os servos que trazem a roupa (doûloi, Lc 15.22) e o servo que explica a festa (paîs, Lc 15.26). O mais novo quis voltar como empregado; o mais velho, que nunca saiu, fala como escravo. O pai responde com outra palavra: "Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu" Lc 15.31. "Filho", aqui, é τέκνον (téknon), de tíktō, gerar: o nome de quem nasceu do pai, dito como tratamento de afeto. E o pai corrige o parentesco que o mais velho tinha negado. Ele disse "este teu filho" Lc 15.30; o pai responde "este teu irmão" Lc 15.32.

  5. 05

    Onde Jesus entra

    A reclamação da plateia, "Este recebe pecadores, e come com eles" Lc 15.2, descreve o que o pai faz na parábola: recebe o filho que voltou e manda preparar a mesa, "comamos, e regozijemo-nos" Lc 15.23. E a queixa do mais velho tem a forma da queixa dos fariseus: o problema é a festa dada a quem pecou Lc 15.30. Por isso a leitura que Calvino já fazia vê nos dois filhos os dois grupos que ouviam Jesus: no mais novo, os pecadores que, cansados da própria loucura, recorrem à graça de Deus; no mais velho, os escribas que murmuravam, e não o povo judeu inteiro, porque foi a murmuração deles que deu ocasião à parábola. Essa correspondência vem da moldura do capítulo (Lc 15.1-3); Jesus não a diz com todas as letras, e por isso é inferência, uma inferência que o texto sustenta. A parábola termina com o pai do lado de fora, insistindo, e não diz se o filho entrou. Os que murmuravam ficaram diante da mesma porta. No fim do filme, Jesus volta a eles com o mesmo gesto do pai à porta; isso também é leitura, não citação: à mesa com os pecadores, ele fazia o que o pai faz na história, e a história, contada aos que reclamavam, era o convite a eles. Paulo diz o que o mais velho não tinha entendido: "Portanto já não és mais servo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro por Deus" Gl 4.7. Paulo não cita a parábola; diz a mesma coisa por outro caminho.

Os detalhes do filme

Os porcos, as alfarrobas e o cocho vêm de Lc 15.15-16. A terra seca, a árvore sem folhas, a poeira e o vento são escolha do desenho para a "grande fome" de Lc 15.14. No texto, quem traz "a melhor roupa", o anel e as "alparcas" (sandálias) são os servos, por ordem do pai Lc 15.22; no filme, um servo corre com a roupa, e o anel e as sandálias aparecem no filho, para caber no tempo. A enxada é escolha: o texto diz só que o mais velho "estava no campo" Lc 15.25. As notas que sobem e as figuras dançando na janela são "a música e as danças" do mesmo versículo. O servo que explica a festa Lc 15.26-27 ficou fora do filme. A porta fechada que o pai abre também é escolha: o texto diz apenas que ele saiu. A luz da porta aberta é o único traço em terracota fora de Jesus: é a porta que a parábola deixa aberta. O pôr do sol, a lua, as estrelas e os grilos são escolha do desenho, e o gesto de Jesus no fim, igual ao do pai, também.

O que o filme não afirma

Não afirma que o filho mais velho estava condenado. O texto não diz se ele entrou, e o pai lhe diz o contrário de uma rejeição: "tu sempre estás comigo" Lc 15.31. "Perdido na casa do pai" descreve como ele falava e vivia dentro de casa, não o seu destino.

Não afirma que obedecer por muitos anos seja defeito. O problema não foi servir sem transgredir; foi servir como escravo numa casa onde ele era filho, esperando pagamento por aquilo que o pai diz que já era dele.

Não afirma que o versículo 20 use o verbo "sair". Ali o pai corre ao encontro do filho que ainda estava longe; o "saiu" está no versículo 28. Dizer que o pai sai duas vezes é a leitura da pregação: nas duas cenas ele deixa a casa para ir até o filho.

Não afirma que o pai interrompeu o filho mais novo. Na Almeida, o versículo 21 termina antes do "trata-me como um dos teus empregados", mas alguns manuscritos antigos (o Sinaítico, o Vaticano e o de Beza) trazem a frase inteira. O filme não usa esse detalhe.

Não afirma que o pai da parábola seja Jesus. O pai mostra como Deus recebe; Jesus, na moldura, faz o que o pai faz. Que os dois filhos correspondam aos dois grupos da plateia é inferência pela moldura (Lc 15.1-3), não uma frase de Jesus.

O traço em terracota é sinal, não retrato: não tem rosto nem aparência. É sempre o mesmo, em todos os filmes da Emet Efatá, e marca onde ele está na cena.


Versículos consultados

Todas as passagens citadas no estudo, em ordem canônica, com o texto por extenso — 3 livros, 29 versículos. Clique no + para abrir cada livro.

Texto da Almeida Revisada Imprensa Bíblica, de domínio público. Os trechos transcritos na NVI ao longo do estudo estão listados abaixo.

Levítico11.7  ·  1 vers.
  • 11.7  e o porco, porque tem a unha fendida, de sorte que se divide em duas, mas não rumina, esse vos será imundo.
Lucas15.1-3,6,9,11-32  ·  27 vers.
  • 15.1  Ora, chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir.
  • 15.2  E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles.
  • 15.3  Então ele lhes propôs esta parábola:
  • 15.6  e chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos e lhes diz: Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha que se havia perdido.
  • 15.9  E achando-a, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu havia perdido.
  • 15.11  Disse-lhe mais: Certo homem tinha dois filhos.
  • 15.12  O mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me toca. Repartiu-lhes, pois, os seus haveres.
  • 15.13  Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.
  • 15.14  E, havendo ele dissipado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a passar necessidades.
  • 15.15  Então foi encontrar-se a um dos cidadãos daquele país, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos.
  • 15.16  E desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam; e ninguém lhe dava nada.
  • 15.17  Caindo, porém, em si, disse: Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!
  • 15.18  Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e diante de ti;
  • 15.19  já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados.
  • 15.20  Levantou-se, pois, e foi para seu pai. Estando ele ainda longe, seu pai o viu, encheu-se de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.
  • 15.21  Disse-lhe o filho: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.
  • 15.22  Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e alparcas nos pés;
  • 15.23  trazei também o bezerro cevado, e matai-o; comamos, e regozijemo-nos,
  • 15.24  porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a regozijar-se.
  • 15.25  Ora, o seu filho mais velho estava no campo; e quando voltava, ao aproximar-se de casa, ouviu a música e as danças;
  • 15.26  e chegando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo.
  • 15.27  Respondeu-lhe este: Chegou teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.
  • 15.28  Mas ele se indignou e não queria entrar. Saiu então o pai e instava com ele.
  • 15.29  Ele, porém, respondeu ao pai: Eis que há tantos anos te sirvo, e nunca transgredi um mandamento teu; contudo nunca me deste um cabrito para eu me regozijar com meus amigos;
  • 15.30  vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.
  • 15.31  Replicou-lhe o pai: Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu;
  • 15.32  era justo, porém, regozijarmo-nos e alegrarmo-nos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado.
Gálatas4.7  ·  1 vers.
  • 4.7  Portanto já não és mais servo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro por Deus.

Versões citadas: ARA Almeida Revista e Atualizada · ARC Almeida Revista e Corrigida · AA Almeida Revisada Imprensa Bíblica · NVI Nova Versão Internacional.


Fontes

Emet Efatá 06 · Elaborado por Eric Rocha

Criado em  ·  Última atualização em