EMET EFATÁ 08 · MARCOS 10.35-52
EMET EFATÁ · 08
Que queres que te faça?
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Em Marcos 10 Jesus faz a mesma pergunta duas vezes, “Que quereis que eu vos faça?” (10.36) e “Que queres que te faça?” (10.51): os dois discípulos que andavam com ele pediram para sentar ao seu lado na glória; o cego que estava sentado à beira do caminho pediu para ver, levantou-se e foi seguindo Jesus pelo caminho.Da pregação 85 · Que Queres Que Te Faça?
A mesma pergunta, duas vezes
No capítulo 10 de Marcos, Jesus faz a mesma pergunta a duas pessoas diferentes, com quinze versículos de distância. Primeiro a dois discípulos, os irmãos Tiago e João: "Ele, pois, lhes perguntou: Que quereis que eu vos faça?" Mc 10.36. Depois a um mendigo cego na saída de Jericó: "Que queres que te faça?" Mc 10.51. No grego, a primeira é τί θέλετέ με ποιήσω ὑμῖν (tí thélete me poiḗsō hymîn) e a segunda τί σοι θέλεις ποιήσω (tí soi théleis poiḗsō): os mesmos dois verbos, querer e fazer, no plural para os irmãos e no singular para o cego. Os irmãos tinham chegado com um pedido sem conteúdo: "Mestre, queremos que nos faças o que te pedirmos" Mc 10.35. Jesus devolve a eles os dois verbos que eles usaram (thélomen, queremos; poiḗsēs, faças), agora em forma de pergunta. Em parte dos manuscritos, o 10.36 traz o infinitivo (ποιῆσαί με, "que eu faça"); a pergunta é a mesma nos dois textos.
Os que andavam com ele pediram para sentar
Tiago e João responderam: "Concede-nos que na tua glória nos sentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda" Mc 10.37. Pediram os dois lugares de honra ao lado do rei; Mateus, contando a mesma cena, diz "no teu reino" Mt 20.21. "Nos sentemos" é καθίσωμεν (kathísōmen), de kathízō, sentar-se. A resposta: "Não sabeis o que pedis; podeis beber o cálice que eu bebo...?" Mc 10.38, no grego οὐκ οἴδατε τί αἰτεῖσθε (ouk oídate tí aiteîsthe). O cálice é o que Jesus pedirá ao Pai que afaste, no Getsêmani Mc 14.36. Os outros dez "começaram a indignar-se contra Tiago e João" Mc 10.41, e Jesus fala a todos: quem quiser ser grande será servo, "Pois também o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos" Mc 10.45. Marcos põe esse versículo entre as duas perguntas. E a disputa não era nova: pouco antes, "pelo caminho haviam discutido entre si qual deles era o maior" Mc 9.34.
O que estava sentado pediu para ver
Na saída de Jericó, "estava sentado junto do caminho um mendigo cego, Bartimeu filho de Timeu" Mc 10.46. "Estava sentado" é ἐκάθητο (ekáthēto), de káthēmai, estar sentado: outro verbo grego de sentar, que a Almeida também traduz por "sentar". Ele clama "Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!" Mc 10.47; "Filho de Davi" era o título do rei prometido a Israel. Muitos mandam que ele se cale, e ele clama mais Mc 10.48. Jesus para e manda chamá-lo Mc 10.49; ele, "lançando de si a sua capa, de um salto se levantou e foi ter com Jesus" Mc 10.50. E à mesma pergunta responde: "Mestre, que eu veja" Mc 10.51. "Que eu veja" é ἀναβλέψω (anablépsō): recobrar a vista, e também olhar para cima. É o verbo de Marcos 7.34, quando Jesus, "erguendo os olhos ao céu", disse "Efatá; isto é Abre-te" Mc 7.34, a palavra que dá nome a esta série. Os dois que andavam com Jesus pediram para sentar; o que estava sentado pediu para ver e se levantou. A Almeida diz "Mestre" nas duas cenas, mas o grego muda: os irmãos dizem Διδάσκαλε (didáskale, professor) Mc 10.35; o cego diz ῥαββουνί (rhabbouní), palavra aramaica que no Novo Testamento só aparece mais uma vez, quando Maria Madalena reconhece Jesus ressuscitado Jo 20.16.
Da beira do caminho para dentro dele
O último versículo diz: "Vai, a tua fé te salvou. E imediatamente recuperou a vista, e foi seguindo pelo caminho" Mc 10.52. No grego, ele estava παρὰ τὴν ὁδόν (parà tḕn hodón), à beira do caminho, e termina ἠκολούθει αὐτῷ ἐν τῇ ὁδῷ (ēkoloúthei autō̂ en tē̂ hodō̂), seguindo-o no caminho. É a expressão com que Marcos abriu esta parte do capítulo: "Ora, estavam a caminho, subindo para Jerusalém; e Jesus ia adiante deles, e eles se maravilhavam e o seguiam atemorizados" Mc 10.32, no grego en tē̂ hodō̂, e com o mesmo verbo seguir, akolouthéō. O caminho tem destino, dito no versículo seguinte: "Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue" Mc 10.33. O cego curado não volta para casa: entra na estrada que leva à cruz, atrás de Jesus. Os comentaristas notam que Marcos emoldura essa parte do evangelho com dois cegos curados, o de Betsaida Mc 8.22-26 e Bartimeu, e que pouco antes dela Jesus pergunta aos discípulos: "Tendo olhos, não vedes?" Mc 8.18. A moldura é leitura do conjunto; as palavras repetidas são do texto.
Onde Jesus entra
Nas duas cenas é Jesus quem pergunta. Ele não assina o pedido em branco dos irmãos, e não passa adiante do cego que a multidão queria calar: para, manda chamar e pergunta a ele o mesmo que perguntou aos discípulos. O versículo que fica entre as duas perguntas diz quem ele é: o Filho do homem que veio servir e dar a vida Mc 10.45. Os irmãos pediram a direita e a esquerda da glória e ouviram que esses lugares "não me pertence concedê-lo; mas isso é para aqueles a quem está reservado" Mc 10.40. A próxima vez que Marcos usa a expressão é na cruz: "Também, com ele, crucificaram dois salteadores, um à sua direita, e outro à esquerda" Mc 15.27. No grego, 10.40 e 15.27 têm as mesmas palavras, ἐκ δεξιῶν … ἐξ εὐωνύμων (ek dexiō̂n … ex euōnýmōn). Marcos não comenta; a ironia é leitura, e é a de muitos comentaristas. O cego que recuperou a vista vai atrás de Jesus justamente por essa estrada.
Vêm do texto: Jesus andando à frente dos discípulos na subida para Jerusalém Mc 10.32; Tiago e João se aproximando dele Mc 10.35; a indignação dos outros dez Mc 10.41; a grande multidão que sai de Jericó com ele Mc 10.46; os que mandam o cego calar Mc 10.48; Jesus que para, e os que chamam o cego Mc 10.49; a capa lançada e o salto Mc 10.50. As palmeiras vêm do Antigo Testamento, que chama Jericó de "a cidade das palmeiras" Dt 34.3 2Cr 28.15. São escolha do desenho: as duas cadeiras de espaldar alto, tracejadas, para mostrar os lugares pedidos; os braços cruzados e os arcos do murmúrio dos dez; a muralha com torres, que não reconstitui a Jericó daquele tempo; a tigela do mendigo; os arcos que desenham o clamor; a direção em que a capa é lançada; o sol que aparece quando ele vê; Jerusalém pequena no alto, à direita; e a capa que fica no chão, à beira do caminho, no fim. O texto não diz o que foi feito da capa. No som, o clamor do cego não se ouve: a multidão baixa e volta, e um sino marca cada grito; quando Jesus para, há um instante de silêncio. A palavra "capa" é ἱμάτιον (himátion), a roupa de cima, a que a Lei mandava devolver ao pobre antes do pôr do sol, "porque é a única cobertura que tem" Êx 22.27.
Não afirma que pedir seja errado. É Jesus quem pergunta "que queres", Bartimeu pede e é atendido na hora, e Paulo manda: "em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus" Fp 4.6. A diferença entre as duas respostas está no que foi pedido, não no fato de pedir.
Não afirma que Tiago e João foram rejeitados. Jesus lhes promete o cálice Mc 10.39, e Tiago o bebeu: Herodes "matou à espada Tiago, irmão de João" At 12.2.
Não afirma que "sentar" seja a mesma palavra grega nos dois pedidos. São dois verbos de sentar, kathízō (10.37, sentar-se) e káthēmai (10.46, estar sentado), e a Almeida traduz os dois por "sentar". O contraste está nas cenas: os que andavam queriam sentar, o que estava sentado se levantou. Já "caminho" e "seguir" são as mesmas palavras em 10.32 e 10.52; que Marcos apresente Bartimeu como retrato do discípulo é leitura do conjunto, comum entre os comentaristas.
Não afirma que os discípulos fossem cegos como Bartimeu. Eles viam. O "Tendo olhos, não vedes?" é de Jesus Mc 8.18, dito sobre o que eles não entendiam; o filme não vai além disso. Também não diz que eles pediram trono: o texto diz sentar, "na tua glória".
Não afirma que a capa fosse tudo o que Bartimeu tinha. Êxodo mostra o que a capa era para um pobre; Marcos só diz que ele a lançou de si.
Não resolve as diferenças entre os evangelhos. Mateus fala de dois cegos Mt 20.30, Lucas situa a cura quando Jesus chegava a Jericó Lc 18.35, Marcos na saída e com o nome do cego. O filme segue Marcos.
O traço em terracota é sinal, não retrato: não tem rosto nem aparência. É sempre o mesmo, em todos os filmes da Emet Efatá, e marca onde ele está na cena.
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Texto da Almeida Revisada Imprensa Bíblica, de domínio público. Os trechos transcritos na NVI ao longo do estudo estão listados abaixo.
Versões citadas: ARA Almeida Revista e Atualizada · ARC Almeida Revista e Corrigida · AA Almeida Revisada Imprensa Bíblica · NVI Nova Versão Internacional.
Emet Efatá 08 · Elaborado por Eric Rocha
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