EMET EFATÁ · 11
Cada um à sua própria casa
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Em Ageu 1, a casa de Deus está “em ruínas” e Deus manda a “seca” sobre a terra: no hebraico, as duas palavras vêm da mesma raiz (charev, chorev). E as casas “forradas” do povo levam o verbo com que 1 Reis 6.9 descreve Salomão cobrindo o templo.Da pregação 80 · Cada Um à Sua Própria Casa
"Ainda não é o tempo"
O povo de Judá tinha voltado do exílio na Babilônia e começado a reconstruir o templo que os babilônios tinham queimado. Lançaram o alicerce Ed 3.10-11, os vizinhos se opuseram, e "cessou a obra da casa de Deus, que estava em Jerusalém, ficando interrompida até o segundo ano do reinado de Dario" Ed 4.24. Foram uns dezesseis anos parados. É nesse segundo ano de Dario que Ageu fala Ag 1.1, e a primeira coisa que ele repete é a frase do povo: "Não veio ainda o tempo, o tempo de se edificar a casa do Senhor" Ag 1.2. No hebraico, "tempo" é עֵת ('et), dito duas vezes. Dois versículos depois, Deus devolve a mesma palavra: "Acaso é tempo de habitardes nas vossas casas forradas, enquanto esta casa fica desolada?" Ag 1.4. O hebraico diz הַעֵת לָכֶם אַתֶּם, "é tempo para vós, vós mesmos?". Tempo havia; só não era para aquela casa. O filme abre com as duas casas sendo forradas, as ruínas no meio, e o profeta apontando de uma para a outra.
"Forradas": a palavra do templo de Salomão
"Forradas" é סְפוּנִים (sephunim), do verbo safan, cobrir com madeira. É o verbo que 1 Reis usa quando Salomão termina o templo: "Assim, pois, edificou a casa, e a acabou, cobrindo-a com traves e pranchas de cedro" 1Rs 6.9. Da mesma raiz vem o "teto" do templo em 1Rs 6.15, e a mesma forma de Ageu aparece no palácio de Salomão, "coberto de cedro desde o soalho até o teto" 1Rs 7.7 (também 1Rs 7.3), e no palácio do rei Jeoaquim, que Jeremias condena: "forrando-a de cedro, e pintando-a de vermelhão" Jr 22.14. Fora de Ageu, no sentido de revestir com madeira, a palavra só cobre a casa de Deus e casas de rei. Em Ageu ela cobre a casa de cada um, enquanto a casa de Deus não tem nem paredes. No filme, um homem forra as paredes e outro o teto; sobre a casa aparece a palavra, com a referência de 1 Reis.
O salário no saco furado
Antes de mandar construir, Deus manda olhar: "Considerai os vossos caminhos" Ag 1.5, e repete a frase igual dois versículos depois Ag 1.7. No hebraico é שִׂימוּ לְבַבְכֶם עַל־דַּרְכֵיכֶם (simu levavkhem al-darkheikhem), "ponde o vosso coração sobre os vossos caminhos"; o livro volta a ela em Ag 2.15 e duas vezes em Ag 2.18. Entre as duas primeiras vezes está o que eles deviam olhar: "Tendes semeado muito, e recolhido pouco; comeis, mas não vos fartais; bebeis, mas não vos saciais; vestis-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o para o meter num saco furado" Ag 1.6. O "saco" é צְרוֹר (tsror), a trouxinha amarrada onde se levava dinheiro, o mesmo "pacote de dinheiro" que os irmãos de José acharam nos sacos Gn 42.35; "furado" é נָקוּב (naquv), perfurado. Semear muito e colher pouco, comer e não se fartar, são as palavras das maldições da aliança: "Levarás muita semente para o teu campo", e "colherás pouco" Dt 28.38; "comereis, mas não vos fartareis" Lv 26.26. Ageu lê a crise pela aliança do Sinai. No filme, o homem semeia um campo inteiro e brotam quatro espigas; recebe quatro moedas, e as quatro caem pelo furo enquanto ele volta para casa.
A casa em ruínas e a terra seca: a mesma raiz
Deus explica o furo: "Por causa da minha casa, que está em ruínas, enquanto correis, cada um de vós, à sua própria casa" Ag 1.9. A frase põe as duas casas na mesma linha, בֵּיתִי (beiti, a minha casa) e לְבֵיתוֹ (leveito, à casa dele); "correis" é רָצִים (ratsim), um particípio: correm, e continuam correndo. A palavra "casa" aparece oito vezes no capítulo. Em seguida vem o "por isso": "Por isso os céus por cima de vós retêm o orvalho, e a terra retém os seus frutos. E mandei vir a seca sobre a terra" Ag 1.10-11. O achado está aqui. "Desolada" em Ag 1.4 e "em ruínas" em Ag 1.9 são a mesma palavra, חָרֵב (charev), seco, arrasado. "Seca" em Ag 1.11 é חֹרֶב (chorev), da mesma raiz ח־ר־ב. A Almeida usa três palavras, desolada, em ruínas e seca, e o leitor em português não vê que é uma só. Eles deixaram a casa de Deus charev; Deus chamou chorev sobre a terra deles. No filme, a palavra aparece primeiro sobre as ruínas, depois sobre o campo seco, e as duas se ligam por um arco.
Eles vieram
Desta vez o povo ouviu: "obedeceram a voz do Senhor seu Deus, e as palavras do profeta Ageu... e temeu o povo diante do Senhor" Ag 1.12. A resposta de Deus é curta: "Eu sou convosco" Ag 1.13. E a obediência também vem dele: "o Senhor suscitou o espírito" do governador, do sacerdote e do povo, "e eles vieram, e começaram a trabalhar na casa do Senhor dos exércitos, seu Deus" Ag 1.14, vinte e três dias depois da primeira mensagem Ag 1.15. Tinham ouvido "Subi ao monte, e trazei madeira, e edificai a casa" Ag 1.8. O templo ficou pronto uns quatro anos e meio depois, "pela profecia de Ageu o profeta e de Zacarias" Ed 6.14-15. Deus não tinha sumido naqueles dezesseis anos: mandava a palavra pelo profeta e repetia "considerai". Estava ao alcance, e não vinha primeiro.
Onde Jesus entra
No Sermão do Monte, Jesus fala das mesmas coisas que Ageu 1.6 lista: "Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir?" Mt 6.31; e das aves, "que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros" Mt 6.26. No grego a coincidência é maior: a tradução grega de Ageu que circulava no tempo de Jesus, a Septuaginta, usa em 1.6 semear (speírō), comer, beber, vestir (periballō) e ajuntar (synágō), e os cinco verbos estão em Mt 6.25-31. Em Ageu, quem pôs a própria casa primeiro semeou muito e não se fartou. Jesus põe as coisas na ordem: "Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" Mt 6.33. "Primeiro" é prōton, e "todas estas coisas" são o comer, o beber e o vestir do versículo 31. Há também a linha da casa. O templo que o povo reconstruiu depois de Ageu é o que Jesus encontrou em Jerusalém, e nele disse: "Derribai este santuário, e em três dias o levantarei... Mas ele falava do santuário do seu corpo" Jo 2.19-21. Ageu tinha prometido: "A glória desta última casa será maior do que a da primeira" Ag 2.9. Ler essa glória como a presença de Cristo naquela casa é a leitura cristã do texto, e é inferência.
O alicerce em fiadas, abandonado, vem de Ed 3.10 e Ed 4.24. As colunas partidas e as vigas queimadas lembram que o comandante babilônio "queimou a casa do Senhor" 2Rs 25.9, mas o desenho delas, e o mato entre as pedras, são escolha. O profeta de pé sobre o alicerce também é escolha: o texto só diz que a palavra veio "por intermédio do profeta Ageu" Ag 1.3. As tábuas na parede e no teto vêm de "forradas" Ag 1.4, nos dois sentidos possíveis da palavra; o jarro e a arca são escolha. No campo, a semente lançada, as poucas espigas e o saco com o furo vêm de Ag 1.6; o homem que paga e a pedra onde está o dinheiro são escolha. As moedas também: em Judá, naquele tempo, o pagamento costumava ser em prata pesada ou em produto, e a moeda está no desenho para o salário ser visível. O trigo de espiga caída e a videira sem folha vêm de "sobre o trigo e o mosto e o azeite" Ag 1.11; o sol, o calor e a poeira são escolha. O monte com árvores e as tábuas nos ombros vêm de Ag 1.8. O forro que aparece sobre a viga da casa de Deus, no fim da cena, é escolha do desenho, para a madeira mudar de casa; Ageu não descreve o acabamento do templo. Na última cena, Jesus está assentado porque assim ele ensinou Mt 5.1; as aves, os lírios e a erva do campo são de Mt 6.26-30. A pedra onde ele se assenta é escolha.
Não afirma que toda perda de dinheiro, toda colheita ruim ou toda casa que cai seja castigo por ter deixado Deus de lado. Ageu 1 é a palavra de um profeta a um povo, num tempo, dentro da aliança do Sinai Dt 28.38, e foi o profeta quem deu o diagnóstico. Sem essa palavra, ninguém lê o próprio prejuízo assim. Jó era íntegro, e "um grande vento... deu nos quatro cantos da casa, e ela caiu" Jó 1.19; Jesus recusou ler desgraça como culpa Lc 13.4-5 Jo 9.3. A pregação de origem corrigiu por Jó a frase "Deus nunca destrói a casa do justo", e o filme não afirma isso.
Não afirma que ter casa bem acabada seja pecado. Ageu não condena a casa; condena o "enquanto": o forro de um lado, as ruínas do outro, e a desculpa de que ainda não era o tempo.
Não afirma que "a casa de Deus" hoje seja um prédio de igreja, nem que Ageu mande construir templos. No Novo Testamento o santuário é o corpo de Cristo Jo 2.21, e os que estão nele "sois edificados para morada de Deus no Espírito" Ef 2.22 (também 1Pe 2.5 e 1Co 3.16).
Não afirma que "forradas" signifique luxo com certeza. Sephunim pode ser parede revestida de madeira ou casa com teto coberto; a Septuaginta entendeu teto trabalhado. Nos dois sentidos, é o verbo de 1Rs 6.9, e o filme mostra parede e teto.
Não afirma que Jesus cite Ageu em Mateus 6. Os cinco verbos coincidem no grego, mas são o vocabulário comum de quem planta e vive do que colhe. Que Jesus tivesse Ageu em mente é possível, não demonstrável.
Não afirma que a seca acabou no dia em que começaram a obra. A promessa vem depois, com data marcada: "Desde este dia hei de vos abençoar" Ag 2.19.
O traço em terracota é sinal, não retrato: não tem rosto nem aparência. É sempre o mesmo, em todos os filmes da Emet Efatá, e marca onde ele está na cena.
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Texto da Almeida Revisada Imprensa Bíblica, de domínio público. Os trechos transcritos na NVI ao longo do estudo estão listados abaixo.
Versões citadas: ARA Almeida Revista e Atualizada · ARC Almeida Revista e Corrigida · AA Almeida Revisada Imprensa Bíblica · NVI Nova Versão Internacional.
Emet Efatá 11 · Elaborado por Eric Rocha
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