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EMET EFATÁ 17 · GÊNESIS 40–41 · LUCAS 23.42-43

DOIS ANOS INTEIROS.

EMET EFATÁ · 17

Dois anos inteiros

emetefata.com.br

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Na prisão, José pede ao copeiro: “faze menção de mim a Faraó” (Gênesis 40.14). O copeiro esquece, e o texto não diz por quê; diz quanto: “dois anos inteiros” (41.1). Quando ele enfim diz a Faraó “me lembro hoje” (41.9), o hebraico usa o mesmo verbo do pedido de José: o pedido se cumpriu. E José, que pediu para sair “desta casa” (40.14), foi posto “sobre a minha casa” (41.40): a mesma palavra, bayit.Da pregação 88 · Dois Anos Inteiros

O que o filme mostra

  1. 01

    O pedido, em três partes

    José está preso no Egito sem ter feito nada. Dois oficiais de Faraó, o copeiro, que servia o vinho do rei, e o padeiro, caem na mesma prisão e sonham na mesma noite. Antes de ouvir os sonhos, José diz de quem vem a resposta: "Porventura não pertencem a Deus as interpretações? Contai-mo, peço-vos" Gn 40.8. O copeiro sonha com uma videira de três sarmentos e o copo de Faraó; o padeiro, com três cestos sobre a cabeça, e as aves comendo do cesto de cima. Os três ramos e os três cestos são três dias: o copeiro volta ao cargo, o padeiro morre Gn 40.12-19. Então José pede: "Mas lembra-te de mim, quando te for bem; usa, peço-te, de compaixão para comigo e faze menção de mim a Faraó e tira-me desta casa; porque, na verdade, fui roubado da terra dos hebreus; e aqui também nada tenho feito para que me pusessem na masmorra" Gn 40.14-15. No hebraico, o pedido gira em torno de três verbos (além de "usa de compaixão"): זְכַרְתַּנִי (zekhartanî), lembra-te de mim; וְהִזְכַּרְתַּנִי (wehizkartanî), faze-me lembrado, isto é, fala de mim a Faraó; וְהוֹצֵאתַנִי (wehôtsē'tanî), tira-me. Os dois primeiros são o mesmo verbo, זָכַר (zākhar), lembrar; o segundo na forma que quer dizer "fazer alguém ser lembrado", mencionar. Ninguém no texto censura o pedido. No filme, José aponta para cima antes de explicar os sonhos e estende a mão quando o copeiro sai.

  2. 02

    Esqueceu, e o texto não diz por quê

    Tudo acontece como José disse, no dia do aniversário de Faraó: "restaurou o copeiro-mor ao seu cargo de copeiro, e este deu o copo na mão de Faraó; mas ao padeiro-mor enforcou" Gn 40.21-22. E o capítulo fecha assim: "O copeiro-mor, porém, não se lembrou de José, antes se esqueceu dele" Gn 40.23. O hebraico diz a mesma coisa duas vezes, pelo avesso e pelo direito: וְלֹא־זָכַר … וַיִּשְׁכָּחֵהוּ (welō'-zākhar … wayyishkāchēhû), "não lembrou… e o esqueceu". O narrador insiste no esquecimento e não dá causa nenhuma. O texto não diz que Deus fez o copeiro esquecer.

  3. 03

    A medida: dois anos de dias

    O que o texto dá, no lugar da causa, é uma medida: "Passados dois anos inteiros, Faraó sonhou que estava em pé junto ao rio Nilo" Gn 41.1. No hebraico, מִקֵּץ שְׁנָתַיִם יָמִים (miqqēts shenātayim yāmîm), "ao fim de dois anos de dias": dois anos completos. O texto dá a medida exata da demora. O Salmo 105, lembrando a mesma história, não a suaviza: "feriram-lhe os pés com grilhões; puseram-no a ferro, até o tempo em que a sua palavra se cumpriu; a palavra do Senhor o provou" Sl 105.18-19. Grilhões, ferro, prova, e um "até". No filme, os dias viram riscos na parede.

  4. 04

    O achado: "me lembro" é "faço menção"

    Faraó sonha com vacas gordas e magras e com espigas cheias e miúdas, e nenhum sábio do Egito sabe explicar Gn 41.2-8. Então o copeiro fala: "Das minhas faltas me lembro hoje" Gn 41.9. O "me lembro" é אֲנִי מַזְכִּיר (anî mazkîr): o mesmo verbo zākhar, na mesma conjugação de "fazer lembrar", o hifil do hebraico, que José usou em 40.14, "faze menção de mim a Faraó" (lá no perfeito, wehizkartanî; aqui no particípio, mazkîr). Ao pé da letra o copeiro diz "eu faço menção, hoje", e é diante de Faraó que ele diz. A tradução judaica da Sefaria (JPS) põe as duas passagens com o mesmo verbo inglês, mention; a Almeida escreve "faze menção" numa e "me lembro" na outra, e a ligação some. O pedido de José se cumpriu nas palavras em que foi feito: o copeiro fez menção dele a Faraó, e ele foi tirado de lá. E o que o copeiro leva ao rei não é mais um favor pedido por um preso; é um caso conferido: "E conforme a sua interpretação, assim mesmo aconteceu: eu fui restituído ao meu cargo, e ele foi enforcado" Gn 41.13.

  5. 05

    Tira-me desta casa · sobre a minha casa

    "Então Faraó mandou chamar a José, e o fizeram sair apressadamente da masmorra" Gn 41.14. "O fizeram sair apressadamente" é וַיְרִיצֻהוּ (wayrîtsuhû), "fizeram-no correr". E "masmorra" é בּוֹר (bôr), a mesma palavra que José usou no pedido (Gn 40.15, "me pusessem na masmorra") e a mesma da cova em que os irmãos o jogaram (Gn 37.24). José tinha pedido para sair "desta casa", מִן־הַבַּיִת הַזֶּה (min-habbayit hazzeh). Diante dele, antes de qualquer cargo, repete o que dizia na prisão: "Isso não está em mim, mas Deus é que dará uma resposta de paz a Faraó" Gn 41.16. E Faraó lhe diz: "Tu estarás sobre a minha casa, e por tua voz se governará todo o meu povo" Gn 41.40, עַל־בֵּיתִי ('al-bêtî). A mesma palavra, casa, nas duas pontas. Ele pediu para sair de uma casa e foi posto sobre outra: "Vê, eu te hei posto sobre toda a terra do Egito" Gn 41.41. O favor do copeiro, se tivesse vindo cedo, abriria no máximo a porta da cela. Isso é uma observação sobre o texto, não uma explicação do motivo de Deus; a leitura de providência é do próprio José, olhando para trás: "não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus" Gn 45.8.

  6. 06

    Onde Jesus entra: o mesmo pedido, e "hoje"

    Na cruz, entre dois malfeitores, um deles diz ao outro que Jesus "nenhum mal fez" Lc 23.41, e pede: "Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino" Lc 23.42. É o pedido de José ao copeiro, "lembra-te de mim, quando…", com as mesmas palavras na Almeida e também na tradução grega do Antigo Testamento que corria no tempo de Jesus: a Septuaginta traduz Gênesis 40.14 por μνήσθητί μου … ὅταν (mnēsthētí mou … hótan), e Lucas escreve μνήσθητί μου ὅταν. A cena também se parece: em Gênesis, um inocente entre dois presos de Faraó, um dos quais seria pendurado "num madeiro" Gn 40.19; em Lucas, Jesus entre dois malfeitores que "estavam pendurados" Lc 23.39. Mas Lucas não cita Gênesis; a ligação é de tema e de vocabulário, e lê-la como eco intencional é inferência. O que o texto mostra com certeza é a resposta: "Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso" Lc 23.43. No filme, Jesus vira a cabeça para ele e responde.

Os detalhes do filme

Vêm do texto: a videira com três sarmentos e o copo, os três cestos com as aves Gn 40.9-17; o banquete do aniversário de Faraó e o copo entregue na mão dele Gn 40.20-21; o Nilo, as vacas e as espigas Gn 41.1-7, desenhadas duas de cada e não sete, para caber e ser lidas; os sábios que não sabem interpretar Gn 41.8; José que corre para fora da masmorra e troca de roupa Gn 41.14; a veste de linho e o colar de ouro Gn 41.42; o povo que se ajoelha Gn 41.43 (no texto, quando José passa no segundo carro de Faraó; no filme, à porta do palácio); a inscrição sobre a cruz Lc 23.38 e os que olhavam de longe Lc 23.49. A corrente na parede vem dos grilhões do Sl 105.18; o lugar dela é escolha. São escolhas do desenho: a lamparina, a janela com grade, a luz da manhã e a lua; o balão em que a figura de José se apaga (o texto não diz que o copeiro pensou nele e depois esqueceu: o balão é só o modo de desenhar "esqueceu-se"); os riscos na parede, o sol e a lua passando na janela, a chuva e a teia, que marcam o tempo sem pretender contar os dias; a mão no peito do copeiro; o Nilo com o barco, as palmeiras e os mastros do palácio; a cidade ao longe, no fim (a carta aos Hebreus diz que Jesus "sofreu fora da porta" Hb 13.12; o desenho da cidade é escolha). Lucas diz que os malfeitores estavam "um à direita e outro à esquerda" Lc 23.33, mas não diz qual dos dois falou com Jesus; o do lado direito da tela é escolha.

O que o filme não afirma

Não afirma que Deus fez o copeiro esquecer. O texto registra o esquecimento e insiste nele, mas não dá causa. Que a demora esteve dentro do plano de Deus quem diz é José, anos depois, olhando para trás (Gn 45.8; Gn 50.20); não há frase sobre o copeiro.

Não afirma que José precisou dos dois anos para amadurecer. Ele já dava a Deus o crédito antes da demora, "não pertencem a Deus as interpretações?" Gn 40.8, e diz o mesmo diante de Faraó Gn 41.16. O que muda entre os capítulos não é José; é a data do sonho de Faraó.

Não afirma que pedir ajuda ao copeiro tenha sido falta de fé. O pedido é feito com fatos, roubado e inocente Gn 40.15, e ninguém no texto o repreende.

Não afirma que toda espera termina numa porta grande. O Salmo 105 chama os dois anos de grilhões, ferro e prova. O que a história garante é que "o Senhor, porém, era com José" Gn 39.21 dentro do cárcere, e que o tempo teve um "até". O governo do Egito foi de José; não é promessa para todo preso.

Não afirma que Lucas cite Gênesis, nem que José seja figura de Cristo. A ligação entre Gênesis 40.14 e Lucas 23.42 é de tema e de palavras na Bíblia grega; lê-la como eco intencional é inferência. Também não afirma que toda oração a Jesus seja atendida no mesmo dia: o "hoje" de Lc 23.43 é a promessa de estar com ele no paraíso, feita a um homem que morria.

O traço em terracota é sinal, não retrato: não tem rosto nem aparência. É sempre o mesmo, em todos os filmes da Emet Efatá, e marca onde ele está na cena. Fora dele, a terracota aparece só no arco da tela do achado, que liga o pedido à lembrança.


Versículos consultados

Todas as passagens citadas no estudo, em ordem canônica, com o texto por extenso — 4 livros, 46 versículos. Clique no + para abrir cada livro.

Texto da Almeida Revisada Imprensa Bíblica, de domínio público. Os trechos transcritos na NVI ao longo do estudo estão listados abaixo.

Gênesis37.24; 39.21; 40.8-23; 41.1-9,13-14,16,40-43; 45.8; 50.20  ·  36 vers.
  • 37.24  e tomando-o, lançaram-no na cova; mas a cova estava vazia, não havia água nela.
  • 39.21  O Senhor, porém, era com José, estendendo sobre ele a sua benignidade e dando-lhe graça aos olhos do carcereiro,
  • 40.8  Responderam-lhe: Tivemos um sonho e ninguém há que o interprete. Pelo que lhes disse José: Porventura não pertencem a Deus as interpretações? Contai-mo, peço-vos.
  • 40.9  Então contou o copeiro-mor o seu sonho a José, dizendo-lhe: Eis que em meu sonho havia uma vide diante de mim,
  • 40.10  e na vide três sarmentos; e, tendo a vide brotado, saíam as suas flores, e os seus cachos produziam uvas maduras.
  • 40.11  O copo de Faraó estava na minha mão; e, tomando as uvas, eu as espremia no copo de Faraó e entregava o copo na mão de Faraó.
  • 40.12  Então disse-lhe José: Esta é a sua interpretação: Os três sarmentos são três dias;
  • 40.13  dentro de três dias Faraó levantará a tua cabeça, e te restaurará ao teu cargo; e darás o copo de Faraó na sua mão, conforme o costume antigo, quando eras seu copeiro.
  • 40.14  Mas lembra-te de mim, quando te for bem; usa, peço-te, de compaixão para comigo e faze menção de mim a Faraó e tira-me desta casa;
  • 40.15  porque, na verdade, fui roubado da terra dos hebreus; e aqui também nada tenho feito para que me pusessem na masmorra.
  • 40.16  Quando o padeiro-mor viu que a interpretação era boa, disse a José: Eu também sonhei, e eis que três cestos de pão branco estavam sobre a minha cabeça.
  • 40.17  E no cesto mais alto havia para Faraó manjares de todas as qualidades que fazem os padeiros; e as aves os comiam do cesto que estava sobre a minha cabeça.
  • 40.18  Então respondeu José: Esta é a interpretação do sonho: Os três cestos são três dias;
  • 40.19  dentro de três dias tirará Faraó a tua cabeça, e te pendurará num madeiro, e as aves comerão a tua carne de sobre ti.
  • 40.20  E aconteceu ao terceiro dia, o dia natalício de Faraó, que este deu um banquete a todos os seus servos; e levantou a cabeça do copeiro-mor, e a cabeça do padeiro-mor no meio dos seus servos;
  • 40.21  e restaurou o copeiro-mor ao seu cargo de copeiro, e este deu o copo na mão de Faraó;
  • 40.22  mas ao padeiro-mor enforcou, como José lhes havia interpretado.
  • 40.23  O copeiro-mor, porém, não se lembrou de José, antes se esqueceu dele.
  • 41.1  Passados dois anos inteiros, Faraó sonhou que estava em pé junto ao rio Nilo;
  • 41.2  e eis que subiam do rio sete vacas, formosas à vista e gordas de carne, e pastavam no carriçal.
  • 41.3  Após elas subiam do rio outras sete vacas, feias à vista e magras de carne; e paravam junto às outras vacas à beira do Nilo.
  • 41.4  E as vacas feias à vista e magras de carne devoravam as sete formosas à vista e gordas. Então Faraó acordou.
  • 41.5  Depois dormiu e tornou a sonhar; e eis que brotavam dum mesmo pé sete espigas cheias e boas.
  • 41.6  Após elas brotavam sete espigas miúdas e queimadas do vento oriental;
  • 41.7  e as espigas miúdas devoravam as sete espigas grandes e cheias. Então Faraó acordou, e eis que era um sonho.
  • 41.8  Pela manhã o seu espírito estava perturbado; pelo que mandou chamar todos os adivinhadores do Egito, e todos os seus sábios; e Faraó contou-lhes os seus sonhos, mas não havia quem lhos interpretasse.
  • 41.9  Então disse o copeiro-mor a Faraó: Das minhas faltas me lembro hoje:
  • 41.13  E conforme a sua interpretação, assim mesmo aconteceu: eu fui restituído ao meu cargo, e ele foi enforcado.
  • 41.14  Então Faraó mandou chamar a José, e o fizeram sair apressadamente da masmorra. Ele se barbeou, mudou de roupa e apresentou-se a Faraó.
  • 41.16  Respondeu José a Faraó: Isso não está em mim, mas Deus é que dará uma resposta de paz a Faraó.
  • 41.40  Tu estarás sobre a minha casa, e por tua voz se governará todo o meu povo; somente no trono eu serei maior que tu.
  • 41.41  Disse mais Faraó a José: Vê, eu te hei posto sobre toda a terra do Egito.
  • 41.42  E Faraó tirou da mão o seu anel-sinete e pô-lo na mão de José, vestiu-o de traje de linho fino, e lhe pôs ao pescoço um colar de ouro.
  • 41.43  Ademais, fê-lo subir ao seu segundo carro, e clamavam diante dele: Ajoelhai-vos. Assim Faraó o constituiu sobre toda a terra do Egito.
  • 45.8  Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e como governador sobre toda a terra do Egito.
  • 50.20  Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; Deus, porém, o intentou para o bem, para fazer o que se vê neste dia, isto é, conservar muita gente com vida.
Salmos105.18-19  ·  2 vers.
  • 105.18  feriram-lhe os pés com grilhões; puseram-no a ferro,
  • 105.19  até o tempo em que a sua palavra se cumpriu; a palavra do Senhor o provou.
Lucas23.33,38-39,41-43,49  ·  7 vers.
  • 23.33  Quando chegaram ao lugar chamado Caveira, ali o crucificaram, a ele e também aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda.
  • 23.38  Por cima dele estava esta inscrição (em letras gregas, romanas e hebraicas:) ESTE É O REI DOS JUDEUS.
  • 23.39  Então um dos malfeitores que estavam pendurados, blasfemava dele, dizendo: Não és tu o Cristo? salva-te a ti mesmo e a nós.
  • 23.41  E nós, na verdade, com justiça; porque recebemos o que os nossos feitos merecem; mas este nenhum mal fez.
  • 23.42  Então disse: Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.
  • 23.43  Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.
  • 23.49  Entretanto, todos os conhecidos de Jesus, e as mulheres que o haviam seguido desde a Galiléia, estavam de longe vendo estas coisas.
Hebreus13.12  ·  1 vers.
  • 13.12  Por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta.

Versões citadas: ARA Almeida Revista e Atualizada · ARC Almeida Revista e Corrigida · AA Almeida Revisada Imprensa Bíblica · NVI Nova Versão Internacional.


Fontes

Emet Efatá 17 · Elaborado por Eric Rocha

Criado em  ·  Última atualização em