EMET EFATÁ 22 · APOCALIPSE 3.1-3 · EFÉSIOS 4.19 · APOCALIPSE 3.20
EMET EFATÁ · 22
Tens nome de que vives
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O “sê vigilante” que Cristo manda a Sardes é, no grego, “torna-te acordado”, e o mesmo verbo volta no versículo seguinte (“se não vigiares”), dito a uma cidade que tinha perdido a sua fortaleza duas vezes pelo lado que ninguém vigiava.Da pregação 18 · Você Pode Estar Morto e Não Sabia
Uma igreja com fama de viva
Sardes era uma cidade da Ásia Menor, na atual Turquia, e tinha uma igreja. Cristo manda escrever a ela: "Isto diz aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas: Conheço as tuas obras; tens nome de que vives, e estás morto" Ap 3.1. "Ter nome" é ter fama, reputação. No grego, ὄνομα ἔχεις ὅτι ζῇς, καὶ νεκρὸς εἶ (ónoma écheis hóti zēis, kaì nekròs ei): "tens nome de que vives, e morto és". A igreja tinha obras e tinha fama; quem a conhece por dentro dá outro diagnóstico, na mesma frase. Três versículos depois, a palavra "nome" volta: "Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram as suas vestes" Ap 3.4. "Algumas pessoas" é, no grego, ὀλίγα ὀνόματα (olíga onómata), "poucos nomes". E a promessa a quem vencer é esta: "de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; antes confessarei o seu nome diante de meu Pai" Ap 3.5. O nome que a cidade dava à igreja não decidia nada; o que conta é o nome que ele guarda.
A fortaleza que ninguém vigiava
A cidadela de Sardes ficava no alto de um penhasco e passava por impossível de tomar. Caiu duas vezes do mesmo modo. O historiador grego Heródoto conta que, quando Ciro, rei da Pérsia, cercou a cidade, por volta de 547 a.C., havia um lado da acrópole sem guarda, porque ali o rochedo era íngreme e ninguém temia um ataque. Na véspera, um soldado do exército persa chamado Hiroiades tinha visto um lídio descer por aquele lado para apanhar um capacete que caíra, e subir de volta. No dia seguinte ele subiu pelo mesmo caminho, outros persas foram atrás, e a cidade foi tomada (Heródoto, Histórias 1.84). Mais de três séculos depois, em 214 a.C., o exército de Antíoco III tomou a cidade outra vez por um trecho de muro sem vigia. Políbio registra como o cretense Lágoras descobriu o descuido: as aves que comiam na ravina lá embaixo pousavam no muro e ficavam ali, sinal de que ninguém guardava aquele lugar. No mesmo trecho ele observa que as cidades mais fortes costumam cair justamente porque os moradores, confiados na força do lugar, deixam de vigiar (Políbio, Histórias 7.15-17).
"Sê vigilante": o mesmo verbo, duas vezes
A primeira ordem à igreja morta é "Sê vigilante, e confirma o restante, que estava para morrer" Ap 3.2. No grego, γίνου γρηγορῶν (gínou grēgorôn): o imperativo de "tornar-se" com o particípio de γρηγορέω (grēgoréō), o verbo de ficar acordado. Ao pé da letra, "torna-te alguém que está acordado". O mesmo verbo volta no versículo seguinte, agora como condição: "Pois se não vigiares, virei como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei" Ap 3.3, ἐὰν οὖν μὴ γρηγορήσῃς, ἥξω ὡς κλέπτης (eàn oûn mḕ grēgorḗsēis, hḗxō hōs kléptēs). Nas sete cartas de Apocalipse 2 e 3, esse verbo só aparece aqui, nos dois versículos seguidos à igreja de Sardes; no livro inteiro, só mais uma vez, em Ap 16.15. A carta pede a uma igreja dessa cidade o que faltou à fortaleza dela. A maioria dos comentaristas lê a escolha como alusão à história da cidade; o texto não cita Heródoto nem Políbio, e a alusão é leitura provável, não afirmação do versículo. As palavras também são de Jesus antes da cruz: "Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor; sabei, porém, isto: se o dono da casa soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria" Mt 24.42-43, com o mesmo verbo e o mesmo ladrão. A pregação de origem dá grēgórei como a palavra de 3.2; a forma do texto é gínou grēgorôn, e o sentido que a pregação tira dela, "acorda, fica acordado", se mantém.
Os que deixaram de sentir dor
Paulo descreve o caminho de quem vive longe de Deus: "entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração; os quais, tendo-se tornado insensíveis, entregaram-se à lascívia para cometerem com avidez toda sorte de impureza" Ef 4.18-19. "Tendo-se tornado insensíveis" é uma palavra só, ἀπηλγηκότες (apēlgēkótes), do verbo ἀπαλγέω (apalgéō), formado de "para longe de" e "sentir dor": parar de doer, ficar calejado. O verbo aparece uma única vez em todo o Novo Testamento, aqui. Está no particípio perfeito, o tempo de um estado que resultou de um processo: ninguém fica assim de uma vez. E a ordem da frase é a que a pregação sublinha: primeiro o coração endurecido e a dor que para, depois a prática. A carta a Laodiceia dá nome ao mesmo desconhecimento de si: "dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu" Ap 3.17. Por isso o remédio que a pregação aponta vem de fora: "exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado" Hb 3.13.
Quem fala, e onde ele está
Quem diz "conheço as tuas obras" é Cristo, "aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas" Ap 3.1. O próprio livro explica as estrelas: "Eis o mistério das sete estrelas, que viste na minha destra… as estrelas são os anjos das sete igrejas" Ap 1.20. Ele tem as igrejas na mão e as conhece por dentro. O mesmo Cristo que avisa Sardes "virei como um ladrão" escreve à igreja de Laodiceia: "Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê pois zeloso, e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo" Ap 3.19-20. "Estou" é ἕστηκα (héstēka), no perfeito: ele se pôs ali e ali continua. "Bato" é κρούω (kroúō), no presente: continua batendo. O filme termina nessa porta. Pôr lado a lado o ladrão que chega sem aviso e aquele que bate e espera é leitura do filme, feita com duas cartas vizinhas; cada uma tem o seu destinatário.
As sete estrelas no céu de Sardes vêm de Ap 3.1 e Ap 1.20. A casa em corte, a lamparina que baixa enquanto os de dentro, um a um, deixam de cantar e dormem, e os dois que passam na rua, apontam a porta iluminada e seguem, são escolha do desenho para "tens nome de que vives, e estás morto": de fora, a luz; de dentro, o sono. Jesus de pé do lado de fora, olhando para a casa, é a imagem escolhida para "conheço as tuas obras". Quando a carta diz "confirma o restante, que estava para morrer", um dos de dentro acorda e firma a chama da lamparina; também é escolha, e a chama não chega a se apagar porque o texto diz "estava para morrer", não "morreu". Na fortaleza, o monte Tmolo atrás da cidade, o capacete que cai, o lídio que desce para buscá-lo e o persa que olha e sobe pelo mesmo caminho vêm de Heródoto 1.84. As aves pousadas no muro, a lua que se põe antes do ataque e as duas escadas vêm de Políbio 7.15-17. O guarda com a tocha, do outro lado do muro, é escolha: marca que ali se vigiava. Em Laodiceia, o sol nascendo, a oliveira, as três batidas, a cabeça que se levanta na janela e o dono que abre a porta são escolha do desenho; o versículo diz "se alguém ouvir… e abrir", e o filme mostra alguém que abre.
Não afirma que todo cansaço espiritual seja morte, nem que a rotina mate. A pregação 18 delimita isso: Hebreus manda exortar "todos os dias" Hb 3.13, e isso é rotina. O que Cristo reprova em Sardes não são as obras, é a morte por trás delas. Dias secos, oração sem gosto e o cansaço de quem serve não são o diagnóstico do filme. O sono de Sardes é outro: não perceber o próprio estado.
Não afirma que a emoção seja o termômetro. A insensibilidade de Ef 4.19 é a da consciência que deixa de perceber o pecado como pecado, não a falta de arrepio. O remédio dado às duas igrejas é lembrar, acordar, guardar e arrepender-se (Ap 3.2-3; Ap 3.19): verbos de consciência e de decisão, não pedidos de sentir mais.
Não afirma que Sardes e Laodiceia fossem igrejas de incrédulos, nem ensina perda de salvação. Cristo escreve a igrejas, diz "a todos quantos amo" Ap 3.19, e em Sardes ainda havia quem não tinha contaminado as vestes Ap 3.4. O aviso é real e é dirigido a quem está dentro.
Não afirma que Ef 4.19 fale da igreja de Sardes. Paulo descreve os gentios Ef 4.17 e pede aos efésios que não andem assim. Ligar a palavra de Efésios ao sono de Sardes é aplicação da pregação.
Não afirma que a carta cite a história da cidade. Que Heródoto e Políbio registrem as duas quedas por falta de vigia é certo; que Cristo, ao dizer "sê vigilante" a Sardes, aluda a isso é leitura provável e comum, não dito do texto.
Não reduz Ap 3.20 a um convite a quem nunca creu. A carta é a uma igreja; a porta é de gente que já se dizia dele.
O traço em terracota é sinal, não retrato: não tem rosto nem aparência. É sempre o mesmo, em todos os filmes da Emet Efatá, e marca onde ele está na cena.
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Texto da Almeida Revisada Imprensa Bíblica, de domínio público. Os trechos transcritos na NVI ao longo do estudo estão listados abaixo.
Versões citadas: ARA Almeida Revista e Atualizada · ARC Almeida Revista e Corrigida · AA Almeida Revisada Imprensa Bíblica · NVI Nova Versão Internacional.
Emet Efatá 22 · Elaborado por Eric Rocha
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