EMET EFATÁ 27 · JONAS 1–2 · SALMO 139.7-10
EMET EFATÁ · 27
Ainda ali a tua mão
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O Salmo 139 pergunta “para onde fugirei da tua presença?” com o mesmo verbo hebraico, barach, “fugir”, e a mesma palavra, panim, “face”, com que Jonas 1.3 conta a fuga de Jonas; e, na fuga, Jonas só desce (1.3, 1.5, 2.6): quem o faz subir é Deus, “fizeste subir da cova a minha vida” (2.6).Da pregação 70 · Você Não Pode Escapar de Deus
Fugir da face
Deus manda Jonas a Nínive, e ele pega um navio para o lado oposto. O narrador conta assim: "Jonas, porém, levantou-se para fugir da presença do Senhor para Társis. E, descendo a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem, e desceu para dentro dele, para ir com eles para Társis, da presença do Senhor" Jn 1.3. No hebraico, "fugir" é לִבְרֹחַ (livroach, do verbo barach), e "da presença do Senhor" é מִלִּפְנֵי יְהוָה (millifnei YHWH), ao pé da letra "de diante da face do Senhor". A expressão abre e fecha o versículo e volta uma terceira vez, com o mesmo verbo, quando os marinheiros descobrem o motivo da tempestade: "pois sabiam os homens que fugia da presença do Senhor" Jn 1.10. O texto não chama isso de viagem. Chama de fuga, e diz de quem.
A pergunta do Salmo 139
O Salmo 139 faz a pergunta que Jonas tentou responder com um navio: "Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua presença?" Sl 139.7. No hebraico, "fugirei da tua presença" é מִפָּנֶיךָ אֶבְרָח (mippaneikha evrach): o mesmo verbo barach, "fugir", e a mesma palavra panim, "face", de Jonas 1.3. As formas não são idênticas (o salmo diz "da tua face"; Jonas, "de diante da face do Senhor"), mas o verbo e o substantivo são os mesmos, e a Almeida conserva a ligação em português: "fugir da presença" nos dois. O salmo segue com os lugares aonde alguém poderia ir, e em cada um Deus já está: "se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também" Sl 139.8; "se habitar nas extremidades do mar, ainda ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá" Sl 139.9-10. Jonas foi ao mar e, na oração, diz que gritou "do ventre do Seol" Jn 2.2: שְׁאוֹל (she'ol), a mesma palavra do salmo, o lugar dos mortos. Ler Jonas pelo Salmo 139 é leitura, não citação: nenhum dos dois textos menciona o outro. O que se verifica é que dizem a mesma coisa com as mesmas palavras.
Na fuga, Jonas só desce
O verbo que marca o caminho de Jonas é יָרַד (yarad), "descer". Ele desce a Jope e desce para dentro do navio Jn 1.3; na tempestade, "descera ao porão do navio; e, tendo-se deitado, dormia um profundo sono" Jn 1.5; e, na oração, "Eu desci até os fundamentos dos montes" Jn 2.6. São quatro vezes o mesmo verbo, e em todas quem desce é ele. O verbo contrário aparece no mesmo versículo 2.6, com outro sujeito: "mas tu, Senhor meu Deus, fizeste subir da cova a minha vida". No hebraico é וַתַּעַל (vatta'al, do verbo 'alah, "subir"), na forma que quer dizer "fazer subir". "Cova" é שַׁחַת (shachat), o buraco, a sepultura. O mesmo 'alah tinha aparecido uma vez antes, no começo do livro, quando Deus diz de Nínive que "a sua malícia subiu até mim" Jn 1.2. Jonas desceu até onde ninguém sai sozinho, e quem o fez subir foi Deus. No filme, cada descida ganha a sua marca, e a subida é a única seta em terracota.
Um grande peixe, providenciado
"Então o Senhor deparou um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites nas entranhas do peixe" Jn 1.17. "Deparou" é português antigo para "providenciou". No hebraico é וַיְמַן (vayeman), "designou", o mesmo verbo que o livro usa no capítulo 4 para a aboboreira, o bicho e o vento oriental Jn 4.6-8: o que aparece no caminho de Jonas foi posto ali por Deus. O texto diz דָּג גָּדוֹל (dag gadol), "um grande peixe", e não diz de que espécie; por isso o filme desenha um peixe, e não uma baleia. É de dentro do peixe que Jonas ora Jn 2.1, e a oração já agradece a subida: o peixe que o tragou foi o que o tirou do fundo. Essa última frase é leitura da ordem do texto, não uma afirmação dele.
O sinal de Jonas
Quando lhe pediram um sinal, Jesus disse que não haveria outro "senão o do profeta Jonas; pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra" Mt 12.39-40. A primeira metade da frase repete, palavra por palavra, a tradução grega antiga de Jonas 1.17, a Septuaginta: ἦν Ἰωνᾶς ἐν τῇ κοιλίᾳ τοῦ κήτους τρεῖς ἡμέρας καὶ τρεῖς νύκτας. "No seio da terra" é, no grego, ἐν τῇ καρδίᾳ τῆς γῆς (en tê kardía tês gês), "no coração da terra": a sepultura. Na mesma tradução grega, Jonas diz que foi lançado ao fundo "no coração dos mares" Jn 2.3 (καρδίας θαλάσσης). Que Jesus tenha dito "coração da terra" com o "coração dos mares" em vista é um eco provável, e é inferência. E ele acrescenta: "E eis aqui quem é maior do que Jonas" Mt 12.41. O Filho do homem vai à sepultura como sinal, e ela não o retém: "Não está aqui, porque ressurgiu, como ele disse" Mt 28.6.
Vêm do texto: a palavra que manda ir a Nínive Jn 1.2; a descida a Jope, o navio e a passagem paga Jn 1.3; o vento, a tempestade, a carga lançada ao mar e Jonas dormindo no porão Jn 1.4-5; os marinheiros que o levantam e o lançam ao mar, e o mar que se acalma Jn 1.15; o grande peixe Jn 1.17; o fundo com as algas e os fundamentos dos montes Jn 2.5-6; o peixe que o lança na terra Jn 2.10; o sepulcro cavado na rocha, com a pedra rolada à porta Mt 27.60. São escolhas do desenho: o sol que nasce do lado de Nínive, as placas "Nínive" e "Társis" (Nínive fica a leste; Társis, do outro lado do mar, provavelmente no extremo oeste, e o lugar exato é discutido), a moeda da passagem, as gaivotas, as nuvens, os relâmpagos, as casas de Jope, o sol e a lua que contam os três dias e as três noites, e a cena final, em que Jonas chega e para diante de Jesus: é a comparação de Mateus 12.41 posta em desenho. O fio pontilhado que desce da porta do sepulcro é o "seio da terra".
Não afirma que Jonas conhecesse o Salmo 139, nem que o salmo fale de Jonas. O salmo traz no título o nome de Davi; Jonas profetizou no tempo de Jeroboão II 2Rs 14.25. Barach e panim são palavras comuns no Antigo Testamento. O que o filme mostra é que a pergunta do salmo e a fuga de Jonas são ditas com as mesmas palavras; ler uma pela outra é a leitura da pregação 70, e o filme a apresenta como leitura.
Não afirma que o peixe seja "a mão" do Salmo 139.10. A pregação usa essa imagem; o texto de Jonas diz apenas que o Senhor providenciou um grande peixe. E não afirma que Deus corra atrás de quem foge: o salmo diz "tu ali estás", e em Jonas o vento, o peixe e a subida já estão no caminho quando ele chega.
Não afirma que "três dias e três noites" seja uma contagem de setenta e duas horas. É a expressão de Jonas 1.17, que Jesus tomou para si; o filme só a conta com três sóis e três luas.
Não afirma que a fuga não custe nada. Jonas pôs em risco o navio dos outros e passou três dias no fundo. Quem o fez subir foi Deus, não a distância que ele percorreu.
O traço em terracota é sinal, não retrato: não tem rosto nem aparência. É sempre o mesmo, em todos os filmes da Emet Efatá, e marca onde ele está na cena. A seta terracota do "fizeste subir" marca o ato de Deus; não é uma figura.
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Texto da Almeida Revisada Imprensa Bíblica, de domínio público. Os trechos transcritos na NVI ao longo do estudo estão listados abaixo.
Versões citadas: ARA Almeida Revista e Atualizada · ARC Almeida Revista e Corrigida · AA Almeida Revisada Imprensa Bíblica · NVI Nova Versão Internacional.
Emet Efatá 27 · Elaborado por Eric Rocha
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