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EMET EFATÁ 28 · ATOS 17.16-34 · 18.1 · 1 CORÍNTIOS 2.2

AO DEUS DESCONHECIDO.

EMET EFATÁ · 28

Ao Deus desconhecido

emetefata.com.br

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No grego de Atos 17, o “desconhecido” do altar, o “sem o conhecer” de Paulo e a “ignorância” que Deus deixa para trás são da mesma raiz: não conhecer. O discurso começa na palavra do altar e termina num homem que Deus ressuscitou; na praça, Paulo já dizia o nome dele, Jesus.Da pregação 76 · Por Que Atenas Não Tem Carta

O que o filme mostra

  1. 01

    Um altar sem nome numa cidade cheia de estátuas

    Paulo estava sozinho em Atenas, esperando Silas e Timóteo, e "revoltava-se nele o seu espírito, vendo a cidade cheia de ídolos" At 17.16. Na praça ele conversava todos os dias com quem aparecesse, e o que dizia está registrado: "anunciava a boa nova de Jesus e a ressurreição" At 17.18. Os filósofos o levaram ao Areópago, nome de uma colina ao pé da acrópole e do antigo conselho da cidade que levava o nome dela (onde o conselho se reunia no tempo de Paulo, na colina ou na praça, é discutido). Ali Paulo começou pelo que tinha visto andando: "passando eu e observando os objetos do vosso culto, encontrei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO" At 17.23. No grego, a inscrição é Ἀγνώστῳ θεῷ (agnṓstō theō). Altares assim existiam: o viajante Pausânias, no século II, conta ter visto no porto de Falero "altares dos deuses chamados Desconhecidos" (Descrição da Grécia 1.1.4), no plural. Lucas fala de um altar, no singular.

  2. 02

    A mesma raiz, três vezes

    Em português o leitor encontra três palavras diferentes: "desconhecido", "sem o conhecer" e "ignorância". No grego, as três são da mesma raiz, a negação a- com o gno- de "conhecer". A primeira é a do altar, ἀγνώστῳ (agnṓstō, adjetivo, "desconhecido"). A segunda é de Paulo, na mesma frase: "Esse, pois, que vós honrais sem o conhecer, é o que vos anuncio" At 17.23, onde "sem o conhecer" é ἀγνοοῦντες (agnooûntes, verbo, "não sabendo"). A terceira fecha o discurso: "Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam" At 17.30, onde "ignorância" é ἀγνοίας (agnoías, substantivo). São três palavras diferentes (adjetivo, verbo e substantivo) com a mesma raiz. Paulo tira a palavra do altar e a leva até o fim do discurso: o que estava escrito na pedra como nome de um deus vira o nome de uma época, e essa época Deus declara encerrada, com um "agora".

    Há um segundo eco no mesmo trecho. Os filósofos disseram que Paulo parecia "pregador de deuses estranhos" At 17.18; "pregador" é katangeleús, o que anuncia. No Areópago Paulo usa o verbo da mesma raiz: "é o que vos anuncio", katangéllō At 17.23. E o "manda" de 17.30 é parangéllei, a mesma raiz com outro prefixo. Quem foi chamado de anunciador de deuses estranhos anuncia o Deus que eles mesmos tinham confessado não conhecer.

  3. 03

    A ignorância termina num homem ressuscitado

    O discurso não termina em ideia. Termina numa pessoa: Deus "determinou um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que para isso ordenou; e disso tem dado certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos" At 17.31. "Varão" é ἀνήρ (anḗr), homem. "Ordenou" é ὥρισεν (hṓrisen), de horízō, marcar limite, designar; é o mesmo verbo de 17.26, quando Deus "determina" os tempos e os limites dos povos. No discurso o nome desse homem não aparece. Mas Lucas já tinha dito qual era o assunto de Paulo em Atenas: "Jesus e a ressurreição" At 17.18. E o mesmo Lucas usa o mesmo verbo quando Pedro fala de Jesus a Cornélio: "ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos" At 10.42, onde "constituído" é hōrisménos, de horízō. O homem sem nome de 17.31 é Jesus; o texto deixa isso claro pelo contexto do capítulo, não pelo discurso sozinho.

    Por isso o filme põe Jesus aqui, fora do sepulcro, com o ἀνδρὶ ᾧ ὥρισεν acima e depois o nome, Ἰησοῦς. O Deus que os atenienses não conheciam se deu a conhecer num homem que ele ressuscitou, e é nesse homem que o "não conhecer" do altar chega ao fim.

  4. 04

    Três respostas

    Lucas registra três reações, e as três estão no filme. "Mas quando ouviram falar em ressurreição de mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Acerca disso te ouviremos ainda outra vez" At 17.32. "Escarneciam" é zombavam. O ponto que dividiu a plateia foi a ressurreição, justamente o fim do discurso. "Assim Paulo saiu do meio deles. Todavia, alguns homens aderiram a ele, e creram, entre os quais Dionísio, o areopagita, e uma mulher por nome Dâmaris, e com eles outros" At 17.33-34. Dionísio era membro do próprio conselho do Areópago; Dâmaris é nomeada. O filme mostra os dois subindo a rocha e ficando ao lado de Paulo, que é o que "aderiram a ele" diz.

  5. 05

    A cidade seguinte

    "Depois disto Paulo partiu de Atenas e chegou a Corinto" At 18.1. Em Corinto ele ficou "um ano e seis meses" At 18.11, e mais tarde escreveu à igreja de lá como tinha chegado: "E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado" 1Co 2.1-2. O filme termina com essa frase, em grego, sobre o caminho de Atenas a Corinto: Ἰησοῦν Χριστὸν καὶ τοῦτον ἐσταυρωμένον. O nome que no Areópago ficou como "o varão" aparece por extenso, e com a cruz. Atos não tem carta aos atenienses; Corinto recebeu duas. Essa é a pergunta da pregação 76, e o filme a deixa como sequência do texto, não como sentença sobre Atenas (ver abaixo).

Os detalhes do filme

As estátuas nos pedestais são os "objetos do vosso culto" de At 17.23 e a cidade "cheia de ídolos" de At 17.16; o desenho de cada uma é escolha. Paulo olha para elas enquanto passa porque o verbo de 17.23, anatheōrṓn, é observar com atenção. O altar sem estátua em cima, com a inscrição em letras gregas maiúsculas, vem do texto; a forma do altar é escolha. Os pardais que bicam sementes no chão e voam quando Paulo passa são uma referência a 17.18: "paroleiro" é σπερμολόγος (spermológos), literalmente "catador de sementes", palavra usada para o pássaro que cata grãos e, por extensão, para quem junta ideias soltas; o pássaro está no desenho, o texto só usa a palavra como apelido. A acrópole com o templo ao longe, o sol, as nuvens, a oliveira e as pedras são escolha do desenho; o Areópago fica de fato ao pé da acrópole. A rocha onde Paulo fala é a colina, escolha do desenho (ver o item 01); o texto diz que ele falou "de pé no meio do Areópago" At 17.22. A linha do tempo, pontilhada nos "tempos da ignorância" e firme depois do "agora", é o desenho escolhido para 17.30. O sepulcro na rocha e a pedra que rola vêm dos evangelhos (Mc 16.3-4), não de Atos 17; estão no filme para mostrar o "ressuscitando-o" de 17.31. Os riscos que sobem das cabeças dos que zombam são o riso; o aceno de um dos que adiam é o "outra vez". Dâmaris tem um véu na cabeça para que se saiba que é uma mulher; o texto não descreve a roupa dela. O Acrocorinto, o monte de Corinto com o muro no alto, é escolha; o caminho de uma cidade à outra é At 18.1.

O que o filme não afirma

Não afirma que o discurso do Areópago foi um discurso sem Cristo. A pregação 76 diz que o discurso "não tem cruz, não tem o nome de Jesus e não tem o Espírito", e isso é exato quanto ao resumo que Lucas registra: o nome não aparece, a cruz não aparece, o Espírito não é mencionado, e o estado dos ouvintes é chamado de "ignorância". Mas o discurso termina num homem que Deus designou juiz e ressuscitou At 17.31, e na praça Paulo anunciava "Jesus e a ressurreição" At 17.18. Cristo está no fim do discurso, sem o nome. Por isso o eixo do filme é o altar e o homem ressuscitado, e não a ausência de Cristo.

Não afirma que Paulo errou em Atenas, nem que 1 Coríntios 2.2 seja o arrependimento dele pelo Areópago. Lucas não faz esse juízo, e Paulo não menciona Atenas na carta. Ler 1 Coríntios 2.1-5 como reação a Atenas é uma hipótese antiga e discutida; muitos leem o trecho como o modo de Paulo em todo lugar, dito aos coríntios porque eles davam valor à eloquência. O "saber" de 1 Coríntios 2.2 é outro verbo grego, eidénai, e não a raiz gno- de Atos 17; o filme não liga as duas passagens pela palavra, só pela ordem dos fatos At 18.1.

Não afirma que o Areópago tenha sido o único discurso de Paulo sem a cruz. Em Listra, diante de pagãos, o resumo também fala do Deus criador, das chuvas e das estações, sem o nome de Jesus e sem a cruz At 14.15-17. Também não afirma que Atenas não teve crentes: Dionísio, Dâmaris "e com eles outros" creram At 17.34. "Atenas não tem carta" é exato; "Atenas não teve fruto" não é.

Uma nota de texto. Em 17.23 o Textus Receptus diz hon… touton ("aquele que… a esse"), que a Almeida segue com "Esse, pois, que vós honrais"; as edições críticas trazem o neutro ho… touto ("o que… isso"). O achado não depende da variante: agnooûntes está nas duas.

O traço em terracota é sinal, não retrato: não tem rosto nem aparência. É sempre o mesmo, em todos os filmes da Emet Efatá, e marca onde ele está na cena. A raiz agn- e o nome "Jesus Cristo" em terracota nas telas de texto são marcas do ponto, não pessoas.


Versículos consultados

Todas as passagens citadas no estudo, em ordem canônica, com o texto por extenso — 3 livros, 32 versículos. Clique no + para abrir cada livro.

Texto da Almeida Revisada Imprensa Bíblica, de domínio público. Os trechos transcritos na NVI ao longo do estudo estão listados abaixo.

Marcos16.3-4  ·  2 vers.
  • 16.3  E diziam umas às outras: Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro?
  • 16.4  Mas, levantando os olhos, notaram que a pedra, que era muito grande, já estava revolvida;
Atos10.42; 14.15-17; 17.16-34; 18.1,11  ·  25 vers.
  • 10.42  Este nos mandou pregar ao povo, e testificar que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos.
  • 14.15  e dizendo: Senhores, por que fazeis estas coisas? Nós também somos homens, de natureza semelhante à vossa, e vos anunciamos o evangelho para que destas práticas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar, e tudo quanto há neles;
  • 14.16  o qual nos tempos passados permitiu que todas as nações andassem nos seus próprios caminhos.
  • 14.17  Contudo não deixou de dar testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos chuvas do céu e estações frutíferas, enchendo-vos de mantimento, e de alegria os vossos corações.
  • 17.16  Enquanto Paulo os esperava em Atenas, revoltava-se nele o seu espírito, vendo a cidade cheia de ídolos.
  • 17.17  Argumentava, portanto, na sinagoga com os judeus e os gregos devotos, e na praça todos os dias com os que se encontravam ali.
  • 17.18  Ora, alguns filósofos epicureus e estóicos disputavam com ele. Uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece ser pregador de deuses estranhos; pois anunciava a boa nova de Jesus e a ressurreição.
  • 17.19  E, tomando-o, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de que falas?
  • 17.20  Pois tu nos trazes aos ouvidos coisas estranhas; portanto queremos saber o que vem a ser isto.
  • 17.21  Ora, todos os atenienses, como também os estrangeiros que ali residiam, de nenhuma outra coisa se ocupavam senão de contar ou de ouvir a última novidade.
  • 17.22  Então Paulo, estando de pé no meio do Areópago, disse: Varões atenienses, em tudo vejo que sois excepcionalmente religiosos;
  • 17.23  porque, passando eu e observando os objetos do vosso culto, encontrei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais sem o conhecer, é o que vos anuncio.
  • 17.24  O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens;
  • 17.25  nem tampouco é servido por mãos humanas, como se necessitasse de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas;
  • 17.26  e de um só fez todas as raças dos homens, para habitarem sobre toda a face da terra, determinando-lhes os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação;
  • 17.27  para que buscassem a Deus, se porventura, tateando, o pudessem achar, o qual, todavia, não está longe de cada um de nós;
  • 17.28  porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois dele também somos geração.
  • 17.29  Sendo nós, pois, geração de Deus, não devemos pensar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida pela arte e imaginação do homem.
  • 17.30  Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam;
  • 17.31  porquanto determinou um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que para isso ordenou; e disso tem dado certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.
  • 17.32  Mas quando ouviram falar em ressurreição de mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Acerca disso te ouviremos ainda outra vez.
  • 17.33  Assim Paulo saiu do meio deles.
  • 17.34  Todavia, alguns homens aderiram a ele, e creram, entre os quais Dionísio, o areopagita, e uma mulher por nome Dâmaris, e com eles outros.
  • 18.1  Depois disto Paulo partiu de Atenas e chegou a Corinto.
  • 18.11  E ficou ali um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus.
1 Coríntios2.1-5  ·  5 vers.
  • 2.1  E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria.
  • 2.2  Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado.
  • 2.3  E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor.
  • 2.4  A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder;
  • 2.5  para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.

Versões citadas: ARA Almeida Revista e Atualizada · ARC Almeida Revista e Corrigida · AA Almeida Revisada Imprensa Bíblica · NVI Nova Versão Internacional.


Fontes

Emet Efatá 28 · Elaborado por Eric Rocha

Criado em  ·  Última atualização em