EMET EFATÁ 31 · MATEUS 26.20-25
EMET EFATÁ · 31
Porventura sou eu?
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Em Mateus 26, a pergunta de Judas é, no grego, a dos outros onze palavra por palavra, “mḗti egṓ eimi”, menos a última: eles disseram “Senhor”; ele disse “Rabi” (na Almeida, “Mestre”). Em Mateus, só Judas chama Jesus de Rabi.Da pregação 32 · O Traidor Que Habita em Mim
Ninguém apontou para o outro
É a última ceia. Jesus está à mesa com os doze e diz que um deles vai traí-lo. A reação não é procurar o culpado: "Enquanto comiam, declarou Jesus: Em verdade vos digo que um de vós me trairá. Eles, muitíssimo contristados, começaram um por um a perguntar-lhe: Porventura sou eu, Senhor?" Mt 26.21-22. No grego a pergunta é μήτι ἐγώ εἰμι, κύριε; (mḗti egṓ eimi, kýrie). A partícula mḗti abre uma pergunta que espera "não" como resposta, algo como "não sou eu, sou, Senhor?". Eles esperavam ouvir que não, e mesmo assim perguntaram de si. "Um por um" é εἷς ἕκαστος (heîs hékastos), "cada um", no texto crítico; o Textus Receptus traz hékastos autōn, "cada um deles". O filme mostra isso da esquerda para a direita: cada um leva a mão ao próprio peito, e sobre cada cabeça aparece a pergunta. Nenhuma mão aponta para o vizinho.
O sinal não disse um nome
Jesus responde com uma descrição, não com um nome: "O que põe comigo a mão no prato, esse é o que me trairá" Mt 26.23. Em Marcos a frase é ainda mais ampla: "É um dos doze, que mete comigo a mão no prato" Mc 14.20. Numa refeição de pratos repartidos, a descrição cabe em quem estava perto dele. Ler o versículo como sinal que "não distingue ninguém" é leitura, e é a da pregação; o texto garante que Jesus não disse o nome e que a traição vem de quem comia com ele. O eco de "Até o meu próprio amigo íntimo em quem eu tanto confiava, e que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar" Sl 41.9 é explícito em João (Jo 13.18); em Mateus, fica sugerido. No filme, Jesus põe a mão no prato que divide com o vizinho, e em seguida todas as mãos da mesa vão aos pratos.
A mesma pergunta, menos a última palavra
Depois, Mateus registra a pergunta de Judas à parte: "Judas, que o traiu, perguntou: Porventura sou eu, Mestre? Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste" Mt 26.25. No grego ela é μήτι ἐγώ εἰμι, ῥαββί; (mḗti egṓ eimi, rhabbí). As três primeiras palavras são as mesmas dos outros, na mesma ordem, com a mesma partícula que espera "não". Só a última muda: os outros disseram κύριε (kýrie), "Senhor"; Judas disse ῥαββί (rhabbí), "Rabi", título de respeito dado a mestres. A Almeida traduz aqui "Mestre", e em Mt 26.49, com a mesma palavra grega, escreve "Salve, Rabi"; por isso o leitor em português não vê que é o mesmo tratamento nas duas vezes. Mateus chama Judas de ὁ παραδιδοὺς αὐτόν, "o que o entregava": quando pergunta, o acerto com os sacerdotes já estava feito, "Eles lhe pesaram trinta moedas de prata" Mt 26.15. A resposta de Jesus, σὺ εἶπας (sỳ eîpas), "tu o disseste", é a mesma que ele dará ao sumo sacerdote (Mt 26.64, onde a Almeida põe "É como disseste").
"Rabi", em Mateus, só na boca de Judas
Em Mateus, a palavra rhabbí aparece quatro vezes. Duas estão no discurso contra os escribas e fariseus, que gostam "de serem chamados pelos homens: Rabi. Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi; porque um só é o vosso Mestre" Mt 23.7-8. As outras duas são de Judas, em 26.25 e 26.49. Nenhum outro discípulo, em Mateus, chama Jesus assim; eles dizem "Senhor" (Mt 8.25, Mt 17.4, Mt 26.22). O mesmo episódio mostra a diferença: no monte, Pedro diz "Mestre, bom é estarmos aqui" em Marcos, com rhabbí (Mc 9.5), e "Senhor, bom é estarmos aqui" em Mateus, com kýrie (Mt 17.4). "Mestre" como forma de chamar (didáskale), em Mateus, é o tratamento de quem está de fora: um escriba, os fariseus, os herodianos, os saduceus (Mt 8.19, Mt 12.38, Mt 22.16, Mt 22.24). Esses fatos são de concordância e podem ser conferidos. O que eles dizem do coração de Judas é leitura: ele tratava Jesus com respeito de discípulo a mestre, e o texto não o põe dizendo "Senhor". Bengel, no Gnomon, anotou que a Escritura não registra Judas chamando Jesus de Senhor, e o Pulpit Commentary chama esse "Rabi" de título frio e cerimonioso (os dois em Bible Hub, Mt 26.25).
Quem sonda
A pregação aplica a cena a quem lê e, no mesmo passo, põe um freio: o exame não é uma escavação sem fim dentro de si. Davi termina o salmo pedindo que Deus faça o exame: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho perverso, e guia-me pelo caminho eterno" Sl 139.23-24. "Sonda-me" é חׇקְרֵנִי (choqréni), do verbo chaqar, examinar a fundo. É o mesmo verbo da primeira linha do salmo, "Senhor, tu me sondas, e me conheces" Sl 139.1 (חֲקַרְתַּנִי, chaqartáni): o pedido do fim é que Deus faça o que o começo já disse que ele faz, e termina em direção, "guia-me". À mesa de Mateus 26, quem sabia o que havia em cada um era Jesus: ele anunciou a traição antes que qualquer outro soubesse. No Apocalipse, é ele quem diz "eu sou aquele que esquadrinha os rins e os corações" Ap 2.23. Por isso o filme volta à mesa no fim: durante o salmo, os discípulos param de olhar para o próprio peito e se voltam para ele, que abre as mãos para os dois lados da mesa. O gesto é escolha do desenho; ler o "ó Deus" do salmo como pedido que se faz a Cristo é leitura cristã, apoiada em Ap 2.23.
Do texto vêm a noite, "À tarde estava ele sentado à mesa com os doze discípulos" Mt 26.20; os pratos repartidos Mt 26.23; o pão Mt 26.26; e a casa de alguém na cidade, "em tua casa celebrarei a páscoa com os meus discípulos" Mt 26.18. A lua cheia tem apoio: era a Páscoa Mt 26.17, e a Páscoa cai na lua cheia. A janela, as paredes de pedra, o nicho com a lamparina, a jarra, os copos e a posição dos pratos são escolha. "Sentado à mesa" traduz ἀνέκειτο (anékeito), "estava reclinado": na ceia se comia deitado de lado, em volta de uma mesa baixa. O filme põe os treze sentados em fila atrás de uma mesa comprida para que se veja cada um; não é assim que eles estavam. Mateus não diz onde cada um se sentou. Jesus no centro é escolha do desenho; Judas está no terceiro lugar à direita dele e é desenhado igual aos outros, sem nenhum sinal, porque o texto não o distingue antes de ele falar. O ponto de interrogação sobre cada cabeça é escolha para que se veja a pergunta; o texto diz "um por um". Os onze perguntam antes e Judas depois, na ordem em que Mateus conta (v. 22 e v. 25); se Judas também estava entre os "cada um" do v. 22, o texto não diz. O filme não desenha o beijo nem a morte de Judas. Os sons são os do lugar: a conversa da mesa, que para quando Jesus fala, as vozes baixas das perguntas, o fogo da lamparina e os grilos da noite. O único traço em terracota fora de Jesus são os dois sublinhados da última palavra, na tela do achado.
Não afirma que "Rabi" seja um título ruim. É título de honra: Natanael diz "Rabi, tu és o Filho de Deus" Jo 1.49, e Pedro chama Jesus assim em Marcos Mc 9.5. A observação é sobre o uso de Mateus, onde só Judas o emprega.
Não afirma que dizer "Senhor" prove fidelidade. "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus" Mt 7.21. Os onze disseram "Senhor" naquela noite, e naquela mesma noite "todos os discípulos, deixando-o fugiram" Mt 26.56. A pregação diz o mesmo: o critério é o trono, não o tom.
Não afirma que o crente seja, no fundo, um Judas. "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" Rm 8.1. O que a pregação descreve é o que ainda resiste dentro de quem crê, não uma identidade dupla nem uma salvação incerta.
Não recomenda introspecção sem fim. Davi pede que Deus sonde; não se propõe a achar sozinho. E o exame que Paulo manda fazer antes da ceia termina comendo: "Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice" 1Co 11.28.
O traço em terracota é sinal, não retrato: não tem rosto nem aparência. É sempre o mesmo, em todos os filmes da Emet Efatá, e marca onde ele está na cena.
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Texto da Almeida Revisada Imprensa Bíblica, de domínio público. Os trechos transcritos na NVI ao longo do estudo estão listados abaixo.
Versões citadas: ARA Almeida Revista e Atualizada · ARC Almeida Revista e Corrigida · AA Almeida Revisada Imprensa Bíblica · NVI Nova Versão Internacional.
Emet Efatá 31 · Elaborado por Eric Rocha
Criado em · Última atualização em